Instrutor de tiro morto por criança nos EUA reabre polêmica sobre armas

  • Por Agencia EFE
  • 27/08/2014 21h45

Tucson (EUA), 27 ago (EFE).- A morte de um instrutor de tiro provocada por uma menina de nove anos que aprendia a usar uma submetralhadora Uzi no estado do Arizona reabre a polêmica nos Estados Unidos sobre a idade permitida para estas atividades e a necessidade de ensinar uma criança a utilizar uma arma que dispara, pelo menos, dez tiros por segundo.

“Este caso reabre um grave problema, que nós como pais de família estamos permitindo que nossos filhos tenham acesso a armas de fogo cada vez mais cedo”, disse nesta quarta-feira à Agência Efe José Guzmán, diretor da Organização Pais e Parentes de Filhos Assassinados no Arizona.

Charles Vacca, o instrutor do Arizona Last Stop, um campo de tiro no Deserto de Mojave, morreu na segunda-feira passada quando ensinava a menina, que não teve o nome divulgado, a manusear a arma de origem israelense. De acordo com o escritório do Aguazil do Condado Mojave, o incidente ocorreu quando a menina apertou o gatilho e a arma se levantou, disparando e atingindo a cabeça do instrutor, de 39 anos, que morreu horas depois.

“Esperamos que com este lamentável acidente o governo federal e o estado tomem medidas para regular a idade com que uma criança pode ir a um campo de tiro e praticar com armas de fogo. Este é um alerta não só para o país, mas para todos os pais de família sobre a relação que fomentamos nós mesmos entre nossos filhos e as armas de fogo”, advertiu o ativista, cujo filho foi assassinado por um jovem de 15 anos com uma espingarda AK-47.

Guzmán considerou que a mesma regulação que proíbe a venda de álcool e cigarros a menores de 21 anos de idade nos Estados Unidos deveria ser aplicada nos campos de prática de tiro. No entanto, Sam Scarmardo, representante do Arizona Last Stop, informou à imprensa local que a menina tinha idade suficiente para usar uma arma automática.

“Esse tipo de arma pode ser utilizada desde os oito anos de idade, sob a supervisão dos pais e o instrutor”, disse Scarmardo.

Um vídeo divulgado pelas autoridades locais mostra que momentos antes do acidente a arma tinha sido ativada pela menor, que é originária de Nova Jersey e estava de férias com a família.

Para Guzmán, embora estejam em lugares afastados do deserto, os campos de tiro devem ser regulados da mesma maneira que qualquer outro negócio.

O porta-voz de imprensa da Casa Branca, Josh Earnest, informou hoje que este fato “não muda” as ideias do presidente do país, Barack Obama, com relação a necessidade de o Congresso aprovar leis sobre o controle de armas de fogo.

Os Estados Unidos registraram nos últimos anos vários casos de tiroteios em lugares públicos cujos autores foram jovens, como o que ocorreu na escola primária de Sandy Hook, em Newtown, Connecticut. Nessa cidade, em 14 de dezembro de 2012, 28 pessoas morreram, dessas 20 crianças, como consequência de um ataque realizado por Adam Lanza, um jovem de 20 anos de idade. EFE

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