João Paulo II, um papa chave para o catolicismo e a geopolítica mundial

  • Por Agencia EFE
  • 23/04/2014 19h44

Roma, 23 abr (EFE).- João Paulo II, que será canonizado no próximo 27 de abril, se transformou em uma das personalidades mais emblemáticas das últimas décadas, com influência tanto entre os fiéis católicos como na geopolítica mundial.

Karol Wojtyla, o primeiro pontífice não italiano desde a escolha do holandês Adriano VI, em 1522, nasceu em 1920 em Wadowice, no sul da Polônia, em uma família humilde.

Durante seu pontificado, o mais longo do século XX, foi publicado o novo Catecismo Universal da Igreja (1992). João Paulo II reconheceu o Estado palestino e, em 1994, o Vaticano estabeleceu relações diplomáticas com Israel.

Do ponto de vista histórico, seu papel foi considerado fundamental até mesmo na reorganização das fronteiras europeias. Para muitos analistas políticos, ele teve atuação decisiva nos processos de fim da União Soviética e queda da Cortina de Ferro.

O pai de Karol Wojtyla foi operário e oficial do exército polonês, e segundo o pontífice, o educou nos princípios da fé e da compaixão, valores que disse ter presentes durante toda a vida.

João Paulo II começou a estudar filosofia na Cracóvia em 1938, mas teve que abandonar a faculdade após a ocupação da Polônia pelo exército alemão em 1939.

Fichado pela Gestapo, ele trabalhou como operário em pedreiras pelas manhãs e estudava à noite. Nesta época, conheceu o ator Mieczyslaw Koltarszyk, criador do teatro Rapsódico, onde interpretou papéis de conteúdo patriótico.

Wojtyla foi nomeado bispo titular de Ombi, na Polônia, e auxiliar da Arquidiocese da Cracóvia em 1958, arcebispo da Cracóvia em 1963 e cardeal em 1967. Ele também participou do Concílio Vaticano II, convocado por João XXIII, até seu encerramento, em 1965.

Após a morte repentina do papa João Paulo I, Wojtyla foi eleito sucessor e adotou o nome João Paulo II. Aos 58 anos, tornou-se o pontífice mais jovem do século XX. Foi investido em 22 de outubro de 1978 e elegeu para seu pontificado o lema “Totus tuus ego sum” (“Todo teu sou eu”), uma frase que o acompanhou durante seus anos à frente da Santa Sé.

Preocupado com a renovação da Igreja e paladino da família, defendeu o valor da vida e criticou os métodos anticoncepcionais, o divórcio, o aborto, a eutanásia e os testes de clonagem humana, opiniões que geraram críticas de opositores que o consideravam excessivamente conservador.

Em 13 de maio de 1981, sobreviveu a um atentado em Roma cometido pelo jovem turco Ali Agca. Posteriormente, ele perdoou o autor do ataque.

Durante seu pontificado, João Paulo II realizou 1.339 beatificações, entre elas as dos papas Pio IX e João XXIII, e 482 canonizações, incluindo a de Juan Diego, primeiro indígena da América Latina a ser proclamado santo.

Conhecido como o papa viajante, João Paulo II visitou mais países do que qualquer antecessor e atingiu em 4 de outubro de 1995 um curioso recorde: passou de um milhão de quilômetros percorridos.

Além disso, recebeu várias visitas no Vaticano, como as do presidente da União Soviética Mikhail Gorbachev e a do líder cubano Fidel Castro, encontro que significou o primeiro passo na normalização das atividades religiosas em Cuba.

João Paulo II foi um papa que prestou atenção especial aos jovens, tendo fundado as Jornadas Mundiais da Juventude com a ideia de aproximar a Igreja e formar na fé cristãos desde o berço.

O pontífice morreu em 2 de abril de 2005 no Palácio do Vaticano e foi enterrado em 8 de abril na cripta da Basílica de São Pedro, a poucos metros do túmulo do apóstolo. Seu corpo lá permaneceu até 1º de maio de 2011, data de sua beatificação, quando foi levado à capela de São Sebastião, no templo vaticano.

A ele são atribuídos vários milagres, como o da freira francesa Marie Simon Pierre, que sofria de Parkinson e cuja cura, que nunca teve explicação científica, foi essencial para sua beatificação, em 2011.

O segundo milagre confirmado pelo Vaticano e que cumpriu os requisitos de canonização foi a cura de uma mulher na Costa Rica, Floribeth Mora, que sofrera um gravíssimo aneurisma cerebral e tinha mínimas chances de sobreviver. Ela foi inexplicavelmente curada e, inclusive, vai assistir às celebrações que levarão o papa polonês aos altares. EFE