Kiev cortar gás do leste da Ucrânia “cheira a genocídio”, diz Putin
Moscou, 25 fev (EFE).- O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou nesta quarta-feira que o corte do fornecimento de gás por parte do governo de Kiev às regiões rebeldes pró-russas de Donetsk e Lugansk “cheira a genocídio”.
“Como se não bastasse que lá (em Donetsk e Lugansk) se passa fome e que a OSCE tenha constatado que há uma catástrofe humanitária, ainda por cima cortam o gás. Como isso se chama? Isso já cheira a genocídio”, disse em entrevista coletiva após se reunir com o líder do Chipre, Nikos Anastasiadis.
O chefe do Kremlin lembrou que, além das milícias insurgentes, nos territórios rebeldes também vivem “crianças, mulheres e idosos que nada têm a ver com o conflito”.
Putin acrescentou que os acordos de paz de Minsk, assinados no dia 12 de fevereiro, obrigam as autoridades ucranianas a garantir o fornecimento de energia aos territórios controlados pelos separatistas.
Por outro lado, o presidente russo confirmou que o monopólio de gás russo “Gazprom” fechará em três dias o gás da Ucrânia se o Executivo de Kiev não pagar antecipadamente seu consumo previsto para o mês de março.
“O que a parte ucraniana já pagou dá para três ou quatro dias de provisão. Se não houver pagamento prévio, a Gazprom cortará o fornecimento em virtude do contrato”, advertiu Putin, que reconheceu que a medida “pode criar certa ameaça para o transferência (do gás) à Europa”.
A advertência ocorre em meio à disputa sobre quem vai pagar pelo fornecimento direto da Gazprom aos territórios do leste da Ucrânia controlados pelos separatistas, iniciado no último dia 19, depois que Kiev cortou o gás das regiões.
Kiev se nega a pagar por esse gás, argumentando que não pode controlar nem os volumes nem o uso dos rebeldes. Moscou, no entanto, já advertiu que o gás enviado aos territórios sublevados será cobrado do dinheiro de Kiev pelas provisões de fevereiro.
“Forneceremos até que haja dinheiro, incluindo os volumes que, por motivos humanitários, estamos transferindo no momento, por uma rota alternativa, às repúblicas populares de Donetsk e Lugansk”, disse na semana passada o primeiro-ministro russo, Dmitri Medvedev.
A Comissão Europeia (CE) reiterou nesta quarta-feira sua preocupação com a disputa e exigiu de Rússia e Ucrânia que cumpram com o chamado “pacote de inverno”, acordo firmado em outubro que permitiu restabelecer o transferência de gás russo à Ucrânia até o fim de março.
“Temos informações contraditórias das duas partes sobre a provisão de gás às regiões de Donetsk e Lugansk. Minha proposta é contabilizar separadamente” essas provisões, sugeriu nesta quarta-feira o comissário europeu de Energia, o eslovaco Maros Sefcovic.
O comissário anunciou que a CE trabalha na organização de uma reunião de três partes, com a participação dos ministros de Energia russo e ucraniano, para tratar do assunto. EFE
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