Apoiadores de Trump prometem novo protesto durante posse de Biden

Os grupos de extrema direita que estiveram envolvidos na invasão ao Capitólio disseram que voltarão a se manifestar em Washington no dia 20

  • Por Bárbara Ligero
  • 10/01/2021 16h34
EFE/EPA/JIM LO SCALZOOs apoiadores de Trump terão que enfrentar um plano de segurança muito mais forte do que o que estava em vigor na invasão ao Capitólio

A invasão do Capitólio por apoiadores do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, levantou preocupações sobre a segurança da cerimônia de posse de Joe Biden. O evento já tinha tido a sua programação adaptada por causa da pandemia do novo coronavírus. Mas, depois dos eventos da última quarta-feira, 6, foi confirmado que a cerimônia teria mais tradições rompidas: Trump será o primeiro presidente em 151 anos a não comparecer à posse do seu sucessor. O presidente eleito não escondeu a satisfação com a notícia: “Uma das poucas cosias em que ele e eu concordamos”, afirmou Biden. Agora, o governo norte-americano tem o desafio extra de mostrar estabilidade para o restante do mundo, que ficou horrorizado ao assistir o ataque à democracia no exato local onde será transmitido ao vivo o juramento de Biden no próximo dia 20. Para demonstrar a força das instituições dos Estados Unidos, os ex-presidentes Barack Obama, Bill Clinton e George W. Bush e as ex-primeiras-damas Michelle Obama, Hillary Clinton e Laura Bush se comprometeram em participar da posse de Joe Biden, que estendeu o convite também ao vice-presidente Mike Pence. “Eu acho que é importante nos atermos o máximo possível aos precedentes históricos de como as mudanças de uma administração devem ser feitas. Assim, Mike, o vice-presidente, é bem-vindo. Ficaríamos honrados em tê-lo lá e avançar na transição”, afirmou Biden. Segundo fontes da emissora de televisão norte-americana CNN, Pence também tem a intenção de participar da cerimônia.

No entanto, os grupos de extrema direita envolvidos na invasão ao Capitólio já indicaram que não pretendem deixar a transição de poder acontecer tão tranquilamente. Na sexta-feira, 8, um dos usuários da plataforma Parler, utilizada principalmente entre os eleitores mais conservadores, fez uma publicação afirmando que muitos deles retornarão à Washington D.C. na próxima semana. “Chegaremos em números que nenhum exército ou agência policial pode igualar”, acrescentou. Utilizado para organizar a manifestação de quarta-feira, 6, o Parler foi retirado das lojas de aplicativos do Google e da Apple. No entanto, os apoiadores de Trump também estão utilizando o Telegram e o site TheDonald.Win para divulgar suas intenções de “ocupar” o Capitólio. No site, um usuário anônimo escreveu: “Round 2 em 20 de janeiro. Desta vez, sem piedade. Eu nem me importo em manter Trump no poder. Eu me importo com a guerra”. Segundo a emissora de televisão norte-americana NBC, até sábado, 9, o Serviço de Parques Nacionais somava sete pedidos de realização de comícios em Washington D.C. no dia da posse de Biden, sendo que um deles era claramente destinado aos apoiadores de Trump.

As ameaças não desencorajaram o presidente eleito Joe Biden ou os congressistas responsáveis pela cerimônia de posse, que pretende seguir com os planos. Além da segurança do evento ser supervisionada pelo Serviço Secreto e pelo Departamento de Defesa, 6.200 membros da Guarda Nacional, vindos de seis estados diferentes, ajudarão a Polícia do Capitólio nos próximos 30 dias. Enquanto isso, as autoridades estão trabalhando na identificação e prisão dos principais envolvidos na invasão do Capitólio. De acordo com a agência de notícias The Associated Press, mais de 90 pessoas foram presas pelo FBI, que pediu  ajuda do público para identificar os rostos fotografados durante o ato. Entre os detidos está o homem que posou sentado na cadeira da democrata Nancy Pelosi e o jovem com pele de urso e chifres, que se proclama um “xamã” do grupo QAnon. Dessa forma, o plano de segurança envolvido na posse de Biden é  muito superior ao que estava em vigor no dia da invasão do Capitólio, quando o Congresso Nacional realizava a oficialização do resultado eleitoral. Como o procedimento, visto como meramente protocolar, não costuma chamar grande atenção do público, a segurança não tinha sido reforçada e os manifestantes não tiveram dificuldade em invadir o edifício.