Após anunciar retorno à Rússia, Navalny é alvo de mandato de captura

O líder da oposição acusa Putin de ter ordenado o seu envenenamento, mas pode ser preso assim que pisar em solo russo após ficar uma temporada se recuperando na Alemanha

  • Por Jovem Pan
  • 14/01/2021 16h36
EFE/EPA/YURI KOCHETKOVAlexei Navalny foi envenenado por uma arma química desenvolvida pela União Soviética

O líder da oposição da Rússia, Alexei Navalny, anunciou que voltará ao país no próximo domingo, 17. No entanto, a Justiça emitiu um mandato de sua captura que deve fazer com que ele seja preso assim que pisar no território russo. A justificativa é que Navalny foi condenado em 2014 a três anos e meio de prisão por fraude, com um período de liberdade condicional expirando em 30 de dezembro. Foi precisamente por causa desse registro criminal que Navalny se tornou inelegível e não pôde enfrentar o presidente Vladmir Putin nas eleições presidenciais de março de 2018. A Corte Europeia de Direitos Humanos concordou, no entanto, que as sentenças contra Navalny eram arbitrárias.

Navalny acusa Putin de ter ordenado o seu envenenamento no dia 20 de agosto de 2020, quando sentiu-se mal a bordo de um avião que voltava de Tomsk, na Sibéria, para Moscou. A aeronave teve que fazer um pouso de emergência em Omsk, onde Navalny foi colocado em coma antes de ser transferido a um clínica em Berlim para receber tratamento. Os médicos alemães estabeleceram que o político de 44 anos foi envenenado com uma substância tóxica do grupo Novichok, uma arma química desenvolvida na extinta União Soviética.

Depois de sua alta, em 23 de setembro, Navalny permaneceu até o início de dezembro em um apartamento em Ibach, uma pequena cidade no sudoeste da Alemanha. Por esse motivo, ele não compareceu às autoridades no final da sua liberdade condicional conforme deveria ter feito. Só nesta quarta-feira, 13, ele anunciou nas redes sociais a sua intenção de retornar à Rússia. “Entendi que chegou o momento pelo qual esperava: estou quase saudável e posso finalmente voltar para casa”, escreveu.

*Com informações da EFE