Após aprovação da Turquia, Suécia recebe sinal verde da Hungria e está perto de ser aceita na Otan

Viktor Órban, primeiro-ministro húngaro, reafirmou para o secretário-geral da aliança que apoiará a adesão sueca ao bloco

  • Por Sarah Américo
  • 24/01/2024 17h26
EFE/EPA/JOHANNA GERON / POOL jens stoltenberg secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, participa de uma cerimônia para marcar o pedido de adesão da Suécia e da Finlândia em Bruxelas, Bélgica

Um dia após receber a aprovação do Parlamento da Turquia para ingressar na Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), a Suécia se encaminha para ser o 32º membro da da aliança capitaneada pelos Estados Unidos. Nesta quarta-feira, 24, Estocolmo recebeu mais um sinal verde, da Hungria, único membro do grupo que precisa aprovar essa adesão. “Acabei de terminar um telefonema com o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg. Reafirmei que o governo húngaro apoia a adesão de Suécia à NATO. Salientei também que continuaremos a instar a Assembleia Nacional Húngara a votar a favor da adesão da Suécia e a concluir o #ratification na primeira oportunidade possível.”, escreveu o primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán. A Hungria é considerada muito próximo ao presidente russo, Vladimir Putin, e tem perdido apoio internacional — como o da própria Suécia— à medida que fragiliza as instituições democráticas e passa a ser considerado uma autocracia pelos principais institutos de pesquisa. Na terça-feira, 22, Orbán disse que havia convidado seu homólogo sueco para visitar o país e “negociar” a adesão ao bloco. O parlamento da Hungria está em recesso até meados de fevereiro.

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Budapeste leva meses avaliando o caso e deu diversas explicações para o atraso na chancela. Inicialmente, citou razões técnicas relacionadas ao cronograma do Parlamento, mas depois reclamou de um vídeo exibido em escolas suecas que retratava o governo de Orbán de forma negativa e acusou a Suécia de mostrar falta de respeito com a democracia húngara (que, no mais, está erodida). As autoridades pedem a Estocolmo que cesse sua política de depreciação do governo húngaro, acusado de flertar com o autoritarismo. Nesta semana, Orbán disse que havia convidado seu homólogo sueco para visitar o país e “negociar” a adesão ao bloco. O parlamento da Hungria está em recesso até meados de fevereiro.

Na terça-feira, 23, a Turquia aprovou a entrada da Suécia na Otan. A aprovação se deu por 287 votos a favor e 55 contra, além de quatro abstenções no Legislativo. Em breve, o apoio ao ingresso sueco na Otan deve ser publicado no Diário Oficial turco, formalizando o processo. Ancara pressiona Estocolmo a extraditar opositores exilados, como membros do PKK, o Partido dos Trabalhadores do Curdistão, ou seguidores do Fethullah Gulen, clérigo que mora nos EUA e é acusado de inspirar um golpe contra Erdogan em 2016. Era grande a expectativa em torno da decisão turca. Isso porque o país reiteradamente acusava a Suécia de ser conivente com agentes terroristas e grupos que atuariam em território sueco.

Otan

O país chegou a aprovar uma dura lei antiterrorismo em março passado, no que foi visto como um evidente aceno aos turcos. Ainda que a publicação seja considerada mera formalidade, Ancara precisa comunicar a aprovação oficialmente à cúpula da aliança militar. “Hoje demos um passo a mais rumo à plena integração na Otan”, reagiu o primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson, na rede social X. O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, comemorou a decisão dos legisladores turcos. “Conto com a Hungria para completar sua ratificação nacional [da Suécia] assim que for possível”, declarou em um comunicado. O assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, Jake Sullivan, comemorou o resultado da votação do Parlamento turco ao afirmar que a adesão da Suécia à Otan fará com que a aliança seja “mais segura e mais forte”.

*Com informações da AFP

 

 

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