Após manifestações, partido pede afastamento do presidente do Paraguai

Criticado pela gestão da pandemia, Mario Abdo Benítez nomeou um novo ministro da Saúde Pública, mas protestos continuaram mesmo assim

  • Por Jovem Pan
  • 09/03/2021 11h54 - Atualizado em 09/03/2021 15h32
EFE/Nathalia AguilarNa madrugada de terça-feira, 9, manifestantes se reuniram em frente ao Partido Colorado, ao qual o presidente Mario Abdo Benítez pertence

Os deputados do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA) entraram nesta terça-feira, 9, com um pedido de julgamento político para afastar o presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez. Para que a requisição seja aceita, são necessários 53 votos do Congresso Nacional, sendo que o PLRA possui 29 deputados. Como os demais integrantes da casa são, em sua maioria, do Partido Colorado, ao qual o presidente pertence, as chances do pedido ser aprovado são pequenas. A decisão dos parlamentares é uma consequência das manifestações que têm tomado as ruas da capital Assunção devido ao descontentamento com a forma que o governo vem lidando com a crise do novo coronavírus. Desde fevereiro, o número de casos diários da Covid-19 estão acima de mil, sendo que no início da pandemia a quantidade ficava abaixo de cem.

O vice-presidente do Paraguai, Hugo Velázquez, que também vem sendo um dos alvos da insatisfação popular, defendeu nesta terça-feira, 9, a união nacional para combater a pandemia da Covid-19. “Evidentemente, que chegamos a uma situação em que a população está farta da pouca solução que estamos dando em matéria de saúde, e isso é o que temos que melhorar”, reconheceu o vice-presidente à imprensa. Velázquez também se posicionou contra o julgamento político de Mario Abdo Benítez. “Eu não acredito que seja o momento adequado, na situação em que estamos no país. Acho que, o que temos que fazer, é todos os setores públicos, a sociedade, entrarmos em acordo para melhorar a situação”, afirmou.

Nesta segunda-feira, 8, o presidente do Paraguai nomeou Julio Borba como o novo ministro da Saúde Pública. Ele irá substituir Julio Mazzoleni, que renunciou após pressão do sindicado de enfermeiras e familiares de pacientes da Covid-19, que denunciavam falta de material médico na rede pública. Ainda assim, os protestos continuaram e 16 pessoas foram presas na madrugada desta terça-feira, 9. Fontes da polícia local informaram que os detidos estão sendo acusados de vandalismo e serão encaminhados para prestar depoimento diante de representantes do Ministério Público. Além disso, cerca de 50 manifestantes entraram em confronto com agentes das forças locais de segurança. Nas ruas de Assunção, alguns participantes do protesto destruíram mobiliário urbano, provocaram pequenos incêndios e tiveram como principal alvo a sede o Partido Colorado.

*Com informações da EFE