Após protestos, presidente do Paraguai propõe mudanças ministeriais para amenizar crise

Na noite desta sexta-feira, 05, milhares de manifestantes tomaram as ruas de Assunção para protestar contra a má gestão da pandemia; 20 pessoas ficaram feridas

  • Por Jovem Pan
  • 06/03/2021 13h25
EFE/Nathalia Aguilar

O governo do Paraguai anunciou nesta sábado, 06, que o presidente Mário Abdo Benítez pediu a todos os seus ministros para colocarem seus cargos à disposição para considerar mudanças, em resposta aos protestos desta sexta-feira, 05, contra o colapso na saúde. O presidente continuou nesta manhã a reunião com seus colaboradores mais próximos na residência presidencial de Mburuvicha Roga para avaliar as manifestações de ontem, que terminaram com pelo menos 20 pessoas feridas. A ideia é preparar uma mensagem para a população. Ele se manifestará ainda hoje, à imprensa local o ministro de Tecnologias da Informação e Comunicação, Juan Manuel Brunetti. “A mensagem concreta é que: o presidente ouviu os cidadãos, convocou seu gabinete e pediu-lhes que disponibilizassem seus cargos”, destacou Brunetti.

O porta-voz afirmou que Abdo Benítez entendeu o recado das ruas, mas os manifestantes exigiram a saída de todo o poder executivo, a começar pelo próprio presidente, e não mudanças de ministros. Brunetti também disse que será o chefe de Estado que anunciará as saídas ministeriais assim que houver confirmações. “O presidente tem a melhor predisposição de que este segundo mandato do governo será bom, que podemos recuperar a confiança dos cidadãos e que podemos fazer a melhor gestão possível”, acrescentou. O governo de Abdo Benítez passa por uma crise política que foi acentuada após milhares de manifestantes saíram às ruas no centro histórico de Assunção, e também em outras partes do país, para expressar o descontentamento com a gestão da pandemia.

Um ano após o primeiro caso de coronavírus ter sido detectado em território paraguaio, os contágios continuam aumentando no país, enquanto os hospitais carecem de equipamentos e medicamentos. Soma-se a isso a escassa recepção de vacinas, com apenas um lote de 4 mil doses da Sputnik V, da Rússia, reservado para os trabalhadores da área da saúde.

Oposição discute impeachment de Abdo Benítez

Enquanto a população saía às ruas para exigir a renúncia do presidente e demonstrava a sua insatisfação com o governo em geral, a oposição paraguaia começou a falar em impeachment. Durante toda a manhã deste sábado, os vários partidos da oposição deverão se reunir para avaliar a possibilidade de pavimentar o caminho até um julgamento político e estabelecer as bases de seu argumento. Abdo Benítez esteve perto de ser impugnado em agosto de 2019, quando estava no poder havia um ano, depois que foi descoberto que ele havia assinado um acordo de compra de energia elétrica com o Brasil para a hidrelétrica de Itaipu, compartilhada pelos dois países.

Na ocasião, foi seu rival no partido governista e antecessor no cargo, o ex-presidente Horacio Cartes (2013-2018), que evitou o impeachment, retirando o apoio à iniciativa. Desta vez, no entanto, o setor de Cartes no Partido Colorado já anunciou que considerará a possibilidade de apoiar a saída do chefe de Estado.

*Com informações da EFE