Artemis II: Astronautas retornam à Terra nesta sexta-feira após fazerem história

Após jornada ao redor da Lua, a cápsula Orion com quatro astronautas chega na costa da Califórnia, nos EUA; reentrada testará escudo térmico a 2.700 °C

  • Por Jovem Pan
  • 10/04/2026 09h03 - Atualizado em 10/04/2026 19h04
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NASA / AFP Imagem divulgada pela NASA mostra os membros da tripulação da Artemis II, a especialista de missão Christina Koch (à esquerda), o especialista de missão Jeremy Hansen (acima), o comandante Reid Wiseman (à direita) e o piloto Victor Glover (abaixo), posando para uma foto em grupo dentro da espaçonave Orion Imagem divulgada pela NASA mostra os membros da tripulação da Artemis II, a especialista de missão Christina Koch (à esquerda), o especialista de missão Jeremy Hansen (acima), o comandante Reid Wiseman (à direita) e o piloto Victor Glover (abaixo), posando para uma foto em grupo dentro da espaçonave Orion

Após uma viagem de dez dias ao redor da Lua repleta de momentos históricos, os quatro astronautas da missão Artemis II devem retornar à atmosfera terrestre e amerissar nesta sexta-feira (10) na costa da Califórnia, nos Estados Unidos.

“Podemos começar a comemorar quando a tripulação estiver em segurança a bordo da embarcação de recuperação”, afirmou o vice-administrador da NASA, Amit Kshatriya, em coletiva de imprensa na quinta-feira (9). “Será realmente nesse momento que poderemos deixar as emoções tomarem conta e falar sobre o sucesso da missão.”

A cápsula Orion, que transporta os americanos Christina Koch, Victor Glover e Reid Wiseman, além do canadense Jeremy Hansen, percorreu mais de 406 mil quilômetros — distância maior do que qualquer outra tripulação já alcançou. O pouso está previsto para as 17h07, horário local de San Diego (às 21h07 no horário de Brasília), no Oceano Pacífico.

A amerissagem coroará uma missão executada com perfeição até o momento e representará um marco para a NASA: o primeiro retorno seguro de astronautas ao espaço desde o fim do programa Apollo, em 1972, após anos de atrasos e incertezas.

O principal desafio será a reentrada atmosférica. O escudo térmico da Orion precisará resistir a temperaturas de até 2.700 °C geradas pelo atrito com a atmosfera. “Passar pela atmosfera como uma bola de fogo” será uma experiência marcante, confessou o piloto Victor Glover no início da semana, admitindo que sente apreensão desde que foi selecionado para a tripulação, em 2023.

Embora a reentrada seja sempre crítica, desta vez as preocupações são maiores: trata-se do primeiro voo tripulado da Orion e, em 2022, um teste não tripulado revelou uma alteração “inesperada” no escudo térmico. Apesar da anomalia, a agência decidiu manter o mesmo material, ajustando apenas a trajetória para um ângulo de entrada mais direto e reduzir o ricochete que havia danificado o escudo no teste anterior.

A decisão gerou debates internos e continua a preocupar altos dirigentes. “Não vou parar de pensar nisso até que eles estejam na água”, reconheceu recentemente o administrador da NASA, Jared Isaacman. Seu vice, Amit Kshatriya, admitiu na quinta-feira que “é impossível dizer que não restam apreensões irracionais”, embora afirme não ter temores racionais e confiar nos testes, simulações e modelos realizados.

Durante 13 minutos — seis deles sem comunicação com a Terra —, a cápsula atingirá 38 mil km/h antes de ser desacelerada por uma sequência de paraquedas e pousar no oceano. As famílias dos astronautas acompanharão a operação em tempo real no centro de controle da NASA em Houston.

Assista ao vivo o retorno dos astronautas

O caminho para 2028

Mais do que um voo de teste, a Artemis II visa validar todos os sistemas para o retorno de americanos à superfície lunar. A agência espacial americana mira o primeiro pouso tripulado em 2028, ainda no mandato de Donald Trump, antes da meta chinesa de 2030. Os módulos de alunissagem, desenvolvidos pelas empresas de Elon Musk e Jeff Bezos, ainda estão em fase avançada de construção.

Enquanto isso, a missão de dezenas de bilhões de dólares busca reacender o entusiasmo dos americanos pela exploração espacial. Como resumiu o comandante Reid Wiseman esta semana, a tripulação esperava “permitir, mesmo que por um instante, que o mundo fizesse uma pausa”.

*Com informações da AFP

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