Autor do ataque ao Capitólio dos EUA usava drogas e sofria de paranoia

Noah Green, de 25 anos, teve uma piora no seu estado de saúde mental no dia anterior ao crime; oficial morto era William ‘Billy’ Evans, que trabalhava há quase duas décadas na polícia

  • Por Jovem Pan
  • 03/04/2021 17h08
EFE/EPA/JIM LO SCALZONoah Green avançou com o carro contra uma barricada do Capitólio, atropelando dois policiais, antes de sair do veículo com uma faca

Noah Green, um homem de 25 anos morador do estado da Virginia, foi identificado como sendo o autor do ataque ao Capitólio nesta sexta-feira, 2. O jovem, que lutava contra o vício em drogas e sofria de paranoia, teve uma piora no seu estado de saúde mental no dia anterior ao crime. Pouco antes de atropelar dois policiais que faziam a segurança da sede do Congresso, ele enviou uma mensagem de texto para o seu irmão dizendo que planejava se tornar um sem-teto. No entanto, Noah foi baleado após esfaquear um dos agentes e acabou falecendo no hospital. As informações foram confirmadas pelo próprio irmão de Noah, que morava com ele e aceitou dar entrevista ao The Washington Post. Outras pessoas próximas ao autor do ataque relataram ao USA TODAY que o jovem era tranquilo e não tinha atitudes violentas, apesar de ter tido algumas mudanças de comportamento recentemente. Demais veículos de imprensa dos Estados Unidos afirmam ter encontrado postagens antigas no Facebook e no Instagram em que Noah fala sobre os “fim dos tempos” e o “anticristo”, além de acusar o governo de exercer um “controle da mente”. Em outras publicações, o autor do ataque relata ter ficado desempregado depois que deixou o seu último trabalho “devido às aflições” e elogia Louis Farrakhan, líder do grupo negro norte-americano Nação do Islã que é acusado de disseminar discursos de ódio racistas, antissemitas e homofóbicos. O Facebook, que administra as duas redes sociais, anunciou ter apagado essas publicações enquanto colabora com a investigação da polícia.

William ‘Billy’ Evans já trabalhava há 18 anos na Polícia do Capitólio quando foi morto durante o ataque desta sexta-feira, 2. Ele e um colega, que não foi identificado, foram atropelados por Noah Green enquanto faziam a segurança da barricada norte da sede do Congresso. Na sequência, o autor do crime desceu do carro e atingiu William com uma faca. Ele foi levado ao hospital, mas não resistiu e também faleceu pouco depois. O outro agente se encontra em estado de saúde estável após receber atendimento médico e está fora de risco. O presidente Joe Biden lamentou a morte de William, afirmou estar rezando pela sua família e determinou que todas as bandeiras hasteadas em prédios públicos dos Estados Unidos deverão ficar a meio mastro em sinal de luto até terça-feira, 6. A presidente da Câmara, Nancy Pelosi, também comentou a morte do oficial. “Que sempre nos lembremos do heroísmo de quem deu sua vida para defender nossa democracia”, declarou a parlamentar.

Como o Congresso estava em recesso por causa do feriado da Páscoa, a movimentação era pequena dentro do Capitólio. Ainda assim, a polícia bloqueou todos os acessos ao complexo e impediu as pessoas de entrarem ou saírem do local por pelo menos duas horas, até que a situação fosse controlada. No momento, a polícia afirma que não existe mais risco e por isso o complexo já foi reaberto. Em coletiva de imprensa, a chefe da Polícia do Capitólio, Yogananda Pittman, acrescentou que esses têm sido “tempos difíceis” para ela e seus colegas, provavelmente fazendo referência à invasão do Congresso no dia 6 de janeiro. Na ocasião, apoiadores de Donald Trump interromperam a sessão que formalizaria a vitória de Joe Biden nas eleições presidenciais. O incidente causou a morte de cinco pessoas e levou ao processo de impeachment contra Trump, do qual ele foi absolvido. A Casa Branca confirmou que Joe Biden não estava em Washington D.C. no momento do incidente: o democrata tinha deixado a capital norte-americana pela manhã para passar a Sexta-feira Santa em Camp David, base militar e casa de campo dos presidentes dos Estados Unidos.