Chanceleres do Brics confirmam que bloco pensa em admitir novos membros
Os ministros das Relações Exteriores do grupo Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) confirmaram nesta quinta-feira, 1º, que o bloco estuda formas de abrir as portas para novos membros, embora tenham reconhecido que ainda há trabalho a ser feito para ativar essa expansão. “Chegamos à conclusão de que ainda não temos o que pensamos ser um documento útil que poderíamos apresentar aos chefes de Estado sobre a expansão do grupo”, disse a ministra de Relações Internacionais e Cooperação da África do Sul, Naledi Pandor, que foi a anfitriã de uma reunião dos chanceleres do bloco na Cidade do Cabo. “Portanto, será necessário trabalhar mais nessa questão. Assim que tivermos um documento que acreditamos fornecer uma orientação clara, o levaremos para a cúpula em agosto”, acrescentou ela em entrevista coletiva com os demais chanceleres após o encontro. A ministra sul-africana, cujo país ocupa a presidência rotativa do Brics este ano, se referiu à cúpula que vai acontecer entre 22 e 24 de agosto em Joanesburgo. Em março, Pandor disse em entrevista que tinha recebido “12 cartas” de países interessados em participar do grupo, incluindo Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Egito, Argélia, Argentina, México e Nigéria.
“Há um enorme interesse de todo o mundo. E assim que tivermos definido os critérios (de adesão), tomaremos a decisão”, disse. Na entrevista coletiva, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, afirmou que o Brics representa “uma história de sucesso”. “Talvez uma das razões de seu sucesso seja o fato de ter atraído a atenção de muitos outros países. Continuamos a trabalhar nessa questão da expansão”, ressaltou. O chanceler da Rússia, Sergei Lavrov, admitiu que a ampliação “ainda precisa tomar forma”. “O Brics é uma estrutura diferente, uma nova organização baseada nos princípios de equidade, respeito mútuo, consenso, não interferência e adesão estrita à Carta da ONU”, enfatizou. “O Brics simboliza a evolução do mundo multipolar. A atração de mais de uma dúzia de países para uma possível adesão ao bloco é um testemunho disso”, disse Lavrov.
“Estou satisfeito em ver que mais e mais países expressaram sua vontade de se juntar a nós na família Brics”, declarou o vice-ministro das Relações Exteriores da China, Ma Zhaoxu. “A ampliação do Brics será benéfica para os países do bloco e para os países em desenvolvimento”, acrescentou Ma. O ministro das Relações Exteriores da Índia, Subrahmanyam Jaishankar, concordou que a expansão “ainda é um trabalho em andamento”. “Abordamos isso com uma intenção positiva, com uma mente aberta. Temos que trabalhar no formato certo para isso”, disse.
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*Com informações da EFE
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