China aprova primeira patente de vacina contra Covid-19

Segundo informações locais, o imunizante está na terceira fase de testes clínicos e poderia “ser produzido em massa em um curto período de tempo”

  • Por Jovem Pan
  • 17/08/2020 11h00 - Atualizado em 17/08/2020 11h01
EFE/EPA/OMER MESSINGERA CanSino Biologics, empresa responsável pelo imunizante, desenvolveu uma vacina contra o vírus Ebola que obteve licença provisória em 2017

O Escritório de Propriedade Intelectual da China, Sipo, na sigla em inglês, aprovou a primeira patente para uma vacina contra a Covid-19. Segundo informações divulgadas nesta segunda-feira, 17, pela imprensa local, ainda na terceira fase de testes clínicos, o imunizante poderia “ser produzido em massa em um curto período de tempo”. A vacina, desenvolvida pelo Instituto Científico Militar e pela empresa biofarmacêutica chinesa CanSino Biologics, começou a ser utilizada no final de junho no Exército chinês, depois que uma equipe liderada pelo pesquisador Chen Wei descobriu um anticorpo monoclonal neutralizante altamente eficiente.

Os resultados da segunda fase de testes da vacina mostraram que ela é segura e induz uma resposta imune contra o novo coronavírus, segundo pesquisa publicada no final de julho na revista científica “The Lancet”. De acordo com a patente do Sipo, a vacina mostrou uma “boa resposta imunológica em ratos e roedores, podendo induzir o organismo a produzir uma forte resposta imunitária celular e humoral em pouco tempo”, informa o jornal “Southern Metropolis”, da cidade de Guangzhou. A patente afirma que essa vacina “pode ser produzida em massa em um curto período de tempo” e que é “rápida e fácil de preparar”. “Sua segurança e eficácia devem ser comprovadas na terceira fase, que ocorre no exterior”, acrescenta a informação.

Por outro lado, especialistas citados pelo jornal “Global Times” indicam que a concessão da patente demonstra a “originalidade e criatividade” da vacina e que “é provável que CanSino também solicite uma patente junto a autoridades estrangeiras para proteger seus direitos de propriedade intelectual durante a cooperação internacional”. Pesquisa publicada em julho na “The Lancet” relatou que mais de 500 pessoas foram testadas como uma continuação dos primeiros testes publicados em maio, também com resultados positivos, mas que serão necessários mais testes em humanos de fase 3 para confirmar se esta vacina candidata protege efetivamente contra a infecção por Covid-19.

No total, a segunda fase de testes dessa vacina, que usa um vírus enfraquecido do resfriado comum – o adenovírus tipo 5, Ad5-nCoV – para entregar material genético, envolveu 508 participantes. A CanSino Biologics desenvolveu em conjunto com a Academia Militar de Ciências da China uma vacina contra o vírus Ebola que obteve licença provisória em 2017. Normalmente, o período para uma vacina estar disponível para uso em massa é de pelo menos 12 a 18 meses, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), embora a China tenha acelerado os processos devido à emergência de saúde global e permitido que alguns estudos em várias fases sejam realizados ao mesmo tempo.

*Com Agência EFE