Coronavírus: Previsão de crescimento para as economias do G20 cai 0,3%

China e Itália serão países mais afetados

  • Por Jovem Pan
  • 06/03/2020 17h09
Arquivo/Agência BrasilPara a Moody's, o risco de uma recessão global aumentou consideravelmente

A previsão de crescimento para as economias do G20 reduziu em o,3% devido a epidemia de coronavírus, segundo a agência de classificação de risco Moody’s. Dos 2,4%, caiu para 2,1%.

Em comunicado, a agência também rebaixou a projeção para a China, que inicialmente havia uma previsão de 5,2%. Com os efeitos da epidemia, os cálculos agora indicam um crescimento esperado de 4,8%, 0,4% a menos.

A Moody’s acredita que o retorno aos níveis normais “levará tempo” no gigante asiático, especialmente no setor de serviços, que corresponde a 50% da atividade econômica da China. Com a aparente estagnação da taxa de infecções do vírus, a atividade fabril está sendo lentamente retomada.

Os Estados Unidos também sofrerão um declínio de 0,2% e crescerão, segundo as previsões da Moody’s, 1,5% em 2020, em vez dos 1,7% inicialmente previstos. A economia americana será particularmente afetada no primeiro semestre, mas se recuperará no segundo, de acordo com os novos cálculos da agência.

Itália

Na Europa, as previsões de crescimento passaram de 1,2% para 0,7%, sendo o caso mais significativo a Itália, o país mais afetado. Segundo a Moody’s, em vez de crescer 0,5% como havia calculado há apenas três semanas, entrará em recessão com uma involução de -0,5% no Produto Interno Bruto (PIB).

De acordo com a agência, o declínio do PIB italiano se deve às restrições de viagem, ao fechamento de algumas empresas e ao fato de a epidemia ter sido particularmente grave nas regiões de Lombardia, Vêneto e Emilia-Romagna, que em conjunto produzem 40% do PIB do país.

Para a Moody’s, o risco de uma recessão global aumentou consideravelmente, e o medo de contágio vai diminuir a atividade dos consumidores e das empresas em todo o mundo.

“Quanto maior a demora para que a atividade regular volte, maior será o impacto econômico do vírus”, diz a agência no relatório, acrescentando que será o choque à demanda e, em particular, um abrandamento sustentado do consumo, que vai dominar a dinâmica de uma possível recessão.

Tudo isso somado aos fechamentos prolongados de algumas empresas, os danos aos lucros e as consequentes demissões, que influenciarão as perspectivas econômicas e “alimentarão a dinâmica recessiva”, conforme a Moody’s.

Na opinião da agência, as políticas fiscal e monetária podem “ajudar a limitar os danos” em algumas economias específicas.

A Moody’s argumenta que os anúncios feitos pelas autoridades fiscais e bancos centrais relevantes, como o Federal Reserve dos EUA, que baixou as taxas de juros, ou políticas que podem ser tomadas pelo Banco Central Europeu e pelo Banco do Japão, ajudarão a “limitar a volatilidade do mercado financeiro”.

* Com EFE