Donald Trump é condenado a pagar US$ 83,3 milhões a escritora por difamação

Ex-presidente foi acusado de difamar E. Jean Carroll após ela o acusar de estupro em 2019; ele chamou julgamento de ‘caça às bruxas’ e prometeu recorrer

  • Por Jovem Pan
  • 26/01/2024 19h54 - Atualizado em 26/01/2024 19h56
SARAH YENESEL/EFE/EPA O ex-presidente dos EUA Donald Trump (C) deixa a Trump Tower para assistir ao caso de difamação de E. Jean Carroll contra ele em Nova York O ex-presidente dos EUA Donald Trump deixa a Trump Tower para assistir ao caso de difamação de E. Jean Carroll contra ele em Nova York

O júri de Nova York condenou o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump a pagar US$ 83,3 milhões à jornalista E. Jean Carroll por difamá-la. Carroll receberá US$ 18,3 milhões em danos compensatórios e US$ 65 milhões em retribuição punitiva. Trump pagará indenizações compensatórias de US$ 18,3 milhões, incluindo US$ 11 milhões para uma campanha de reparação de reputação. Os US$ 7,3 milhões são destinados aos danos emocionais causados pelas declarações do ex-presidente em 2019. Após pouco mais de duas horas de deliberações, o júri concluiu que Carroll sofreu mais do que “danos nominais” e que Trump agiu de maneira “maliciosa, por ódio, má vontade, rancor, vingativamente, ou com indiferença, imprudente ou deliberadamente” contra a escritora. “Absolutamente ridículo!… vou recorrer”, reagiu ele em sua plataforma Truth Social, onde novamente chamou o julgamento de “caça às bruxas” orquestrada pelo presidente democrata Joe Biden para impedir seu retorno à Casa Branca. Também criticou o “sistema judicial fora de controle”. A ação ocorre menos de um ano após Carroll ganhar US$ 5 milhões em seu julgamento por abuso sexual e difamação contra o ex-presidente.

Carroll, hoje com 80 anos, testemunhou que apoiadores de Trump, impelidos por ele, a atacaram nas redes sociais, prejudicando sua reputação como colunista da revista “Elle”. Ela alega ter sido estuprada por Trump nos provadores da loja Bergdorf Goodman, em Nova York. Embora o suposto crime tenha prescrito, uma lei recente permitiu ação civil, resultando na ação movida por Carroll em 2019, sem pena de prisão prevista. A lei dos Sobreviventes Adultos de Nova York abriu a possibilidade do processo civil, já que a alegada agressão ocorreu fora do prazo de prescrição civil. Este é o segundo julgamento envolvendo Trump e Carroll, com o primeiro resultando em condenação por abuso sexual e difamação.

Trump, que não compareceu ao primeiro julgamento, enfrentou a confrontação pública pela primeira vez no segundo. As fases finais foram marcadas por adiamentos devido a um jurado com sintomas de Covid-19 e a restrição do escopo das perguntas e respostas de Trump, de acordo com decisões anteriores do juiz Lewis Kaplan. Donald Trump lidera as primárias republicanas e é possível candidato nas eleições presidenciais. Além da condenação em processo movido por Carroll, ele enfrenta outros quatro processos criminais, incluindo um de fraude em Nova York.

*Com informações da AFP

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