Eleições ucranianas marcam possível entrada de país na UE

  • Por Jovem Pan
  • 29/03/2019 18h11
EFE EFE Petro Poroshenko, atual presidente, disse que, se eleito, vai colocar país na UE e na OTAN

O resultado das eleições presidenciais da Ucrânia não só definirá quem governará o país durante os próximos cinco anos, mas também as possibilidades de uma entrada na Otan e na União Europeia (UE) e como serão as relações entre a Rússia e Ocidente.

Se há cinco anos a Ucrânia estava dividida em duas partes – uma europeísta e outra pró-russa -, a primeira agora é majoritária, como se viu na campanha eleitoral, na qual o presidente da Rússia, Vladimir Putin, é o principal inimigo de quase todos os candidatos.

O Ocidente tem em Kiev um fiel aliado, o atual presidente, Petro Poroshenko, que também está na corrida presidencial. Durante a campanha eleitoral, as diplomacias ocidentais apoiaram claramente o atual presidente, já que é o candidato que garante a defesa de seus interesses, que consistem em conter o ímpeto da Rússia no mar Negro.

Considerado “o homem da guerra” pela propaganda russa, Poroshenko cumpre seu papel: negou-se categoricamente a dialogar com Putin, a quem acusou abertamente de dirigir uma máquina de guerra que se propõe, a qualquer momento, a invadir a Ucrânia.

Poroshenko incluiu em seu programa de governo a promessa de que a Ucrânia solicitará em 2023 a entrada na UE e na Otan. Pouco importa que ambos os objetivos sejam utópicos, algo do qual tanto em Bruxelas como em Kiev são conscientes.

Viver como os europeus é um chamariz muito atrativo para a maioria dos ucranianos, inclusive para os que vivem no leste do país, mas não há garantias de que, em um hipotético referendo sobre a Otan, o “sim” saia vitorioso.

A Rússia sabe muito bem. Um conflito no leste da Ucrânia é a garantia de que Kiev nunca fará parte da aliança militar.

Enquanto isso, a propaganda russa faz todo o possível para descredenciar todos os candidatos, com a exceção do pró-Rússia Yuri Boiko, ex-ministro no governo de Victor Yanukovich e o único que defende um diálogo franco com Moscou.

Putin, que no início estendeu a mão a Poroshenko para normalizar as relações, lhe deu as costas nos últimos tempos e o acusou diretamente de ser a favor de o conflito se eternizar no leste do país para ganhar votos.

Por isso, Poroshenko acusou desde o início do ano Putin de ingerência na campanha eleitoral e proibiu por lei a entrada no país de observadores russos.

Seja como for, a Rússia não tem muito a ganhar no pleito, já que os três candidatos com chances de passar para o segundo turno utilizam palavras de ordem anti-Rússia para ganhar votos e defendem a entrada o mais rápido possível nas instituições europeias.

*Com EFE