Em reunião, EUA pressionaram Jair Bolsonaro por ameaças às eleições de 2022

Diretor do Hemisfério Ocidental do Conselho de Segurança da Casa Branca e conselheiro de segurança de Joe Biden estiveram no Brasil no dia 5 de agosto para conversar com o presidente

  • Por Jovem Pan
  • 09/08/2021 23h53
NIYI FOTE/THENEWS2/ESTADÃO CONTEÚDOJair Bolsonaro foi pressionado por suas declarações contra as eleições

Os Estados Unidos pressionaram na semana passada o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) a interromper as ameaças às eleições de 2022, além de pedir que não selecione a empresa chinesa Huawei para operações 5G no Brasil. A informação foi divulgada nesta segunda-feira, 9, por Juan González, diretor sênior para o Hemisfério Ocidental no Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, que visitou o país na última quinta-feira como parte de uma delegação liderada por Jake Sullivan, conselheiro de segurança nacional do presidente americano, Joe Biden. Durante o encontro com Bolsonaro, Sullivan e González foram “muito diretos ao expressar grande confiança na capacidade das instituições brasileiras de realizar eleições livres e justas, com as garantias necessárias para evitar fraudes”, explicou. “E enfatizamos a importância de não minar a confiança nesse processo, especialmente quando não há sinais de fraude nas eleições anteriores”, acrescentou González durante uma entrevista coletiva telefônica.

Bolsonaro alega que houve fraudes no sistema de votação eletrônica e que as autoridades eleitorais querem prejudicá-lo no pleito presidencial de 2022. Sullivan e sua delegação foram “muito francos” sobre o assunto, “particularmente devido a alguns paralelos” com a situação nos Estados Unidos no ano passado, no sentido de “denunciar as eleições como ‘inválidas’ antes de seu tempo”, disse González. O diretor negou, entretanto, que a delegação tenha conversado expressamente com Bolsonaro sobre o ex-presidente Donald Trump (2017-2021), que questionou o sistema de votação nos Estados Unidos antes das eleições de novembro de 2020 e depois denunciou uma suposta fraude eleitoral, sem apresentar provas concretas. Bolsonaro foi um dos principais aliados de Trump no mundo e, durante a campanha eleitoral americana do ano passado, criticou abertamente Biden, agora presidente.

A reunião da última quinta-feira foi uma tentativa dos dois governos de iniciar um processo de aproximação, embora Sullivan e González tenham colocado outras questões na mesa, como sua “preocupação com o papel potencial da Huawei na infraestrutura de telecomunicações do Brasil”. Eles advertiram a Bolsonaro que a Huawei está “tendo grandes problemas em sua cadeia de fornecimento de semicondutores e que deixará seus clientes internacionais encalhados” ou com equipamentos “abaixo do padrão” se a China decidir “priorizar sua implantação doméstica 5G“, afirmou González. O Brasil ainda não esclareceu se aceitará a Huawei como parceiro de qualquer grupo no leilão para suas operações 5G, a serem realizadas até o final do ano, mas indicou que não poderá participar das operações de uma rede exclusiva do governo que utilizará a tecnologia.

Sullivan deixou o Brasil sem “nenhum compromisso” do governo brasileiro em relação ao Huawei e ao leilão, mas ambos os governos concordaram em manter um diálogo ativo sobre o assunto, de acordo com González. O diretor também negou os rumores de que Washington possa ter condicionado a continuidade do status do Brasil como um aliado militar estratégico dos Estados Unidos fora da Otan a uma rejeição do país às aspirações da Huawei, alegando que “são duas questões distintas”. A delegação também pressionou a Argentina a não negociar com a Huawei durante sua visita na última sexta-feira a Buenos Aires, onde os dois representantes americanos se encontraram com o presidente do país, Alberto Fernández.

*Com informações da EFE