Enviado dos EUA ao Haiti pede demissão e narra ‘tratamento desumano’ a migrantes

Carta de Daniel Foote chama atenção do governo dos Estados Unidos às gangues que comandam nação com violência

  • Por Jovem Pan
  • 23/09/2021 12h29 - Atualizado em 23/09/2021 13h46
EFE/ Orlando BarríaCrise no Haiti ocorre por soma de motivos sociais, econômicos e políticos

Por meio de uma carta, o enviado especial dos Estados Unidos ao Haiti, Daniel Foote, apresentou nesta quinta-feira, 23, o seu pedido de demissão ao Departamento de Estado norte-americano em protesto contra o “tratamento desumano” dado a migrantes do país da América Central. O escândalo ocorre poucos dias após os EUA iniciarem um plano de deportação em massa com sete voos diários para levar de volta refugiados do país que estão na fronteira do Texas com o México. A carta de demissão de Foote foi publicada com exclusividade pelo canal norte-americano PBS e confirmada por outros canais de TV do país. Nela, o enviado classifica a decisão do governo de Joe Biden de deportar os haitianos como “desumana, contraproducente e profundamente errônea”.

Foote também narrou no documento que o Haiti é mantido como um “refém do terror” por quadrilhas que controlam o país e lembrou da necessidade de ajuda internacional para lidar com a violência. O problema evidenciado pelo enviado se soma à crise humanitária causada por um terremoto e à crise política decorrente do assassinato do presidente do país, Jovenel Moise, no mês de julho. O pedido de demissão foi enviado diretamente ao secretário de Estado de Biden, Antony Blinken, pouco após fotos de cenas de violência cometidas por guardas da fronteira contra os haitianos viralizarem nas redes. Antes mesmo do vazamento da carta, o Departamento de Segurança Nacional do país afirmou que uma investigação sobre o caso foi aberta e que os agentes envolvidos nas ações violentas foram afastados das atividades. Nomeada pelo democrata como uma das responsáveis para lidar com a crise migratória na fronteira sul dos EUA, a vice-presidente Kamala Harris emitiu um comunicado manifestando “grave preocupação com os maus-tratos a migrantes haitianos”.