EUA estende prazo de recebimento de votos enviados pelo correio

A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, válida para as cédulas da Pensilvânia e da Carolina do Norte, contraria os republicanos, que veem nos estados um risco para a reeleição de Trump

  • Por Jovem Pan
  • 29/10/2020 13h11 - Atualizado em 29/10/2020 13h12
EFE/EPA/ERIK S. LESSERA disputa entre republicanos e democratas é especialmente acirrada na Pensilvânia e na Carolina do Norte

Nesta quarta-feira (28), a Suprema Corte dos Estados Unidos definiu a prorrogação dos prazos para recebimento de cédulas enviadas por correio pela Pensilvânia e pela Carolina do Norte. Assim, serão contabilizados os votos que chegarem da Pensilvânia até o dia 6 de novembro e os que chegarem da Carolina do Norte até o dia 12, sendo que a eleição oficial acontecerá no dia 3. Os dois estados são considerados disputados e fundamentais para as chances de reeleição do presidente Donald Trump.

Historicamente concorrida, a Pensilvânia votou em candidatos democratas nas seis eleições presidenciais anteriores a 2016, quando Trump quebrou a sequência de derrotas republicanas e venceu por uma diferença pequena de 0,7 ponto percentual. Já a Carolina do Norte variou ao longo da última década: preferiu um democrata em 2008 e um republicano em 2012 e 2016. Apesar do atual presidente dos Estados Unidos ter vencido a última eleição nos dois estados, tudo indica que seu partido não está confiante que o fenômeno se repetirá.

A campanha de Trump solicitou o cancelamento da extensão do prazo na Carolina do Norte, mas teve o pedido negado. Os republicanos também entraram com um recurso contra a prorrogação do recebimento de cédulas da Pensilvânia, mas o órgão se recusou a tomar uma decisão sobre o assunto antes do pleito – o que significa que novas decisões ainda podem ser tomadas sobre o tema. De acordo com o jornal norte-americano The New York Times, a juíza Amy Coney Carret, que foi recentemente indicada pelo presidente para integrar o colegiado, não participou de nenhuma dessas decisões.

O dilema é uma consequência da pandemia de coronavírus. Como os eleitores têm evitado votar presencialmente, o país observa um recorde de votos antecipados, com preferência por votos pelo correio. Os democratas têm pressionado por regras mais brandas quando se trata de cédulas de correio e como e quando são contadas. Já os republicanos têm resistido a essas mudanças, com muitos deles argumentando que as regras relaxadas podem abrir o processo para abusos e fraudes.

*Com informações de agências internacionais