Farmacêutica MSD pede autorização de uso emergencial de remédio contra Covid-19 nos EUA

Se aprovada, droga pode ser primeira administrada em formato de pílula para tratar doença no mundo; resultados de testes clínicos do molnupiravir animaram cientistas

  • Por Jovem Pan
  • 11/10/2021 10h07 - Atualizado em 11/10/2021 15h05
MSD/Divulgação via REUTERSPesquisa analisou efeito do molnupiravir na diminuição das hospitalizações

A farmacêutica  MSD (empresa que nos EUA e no Canadá se chama Merck, Sharp & Dohme Corp) anunciou nesta segunda-feira, 11, que pediu autorização da agência regulatória dos Estados Unidos (FDA) para uso emergencial da droga antiviral molnupiravir contra a Covid-19. O remédio é estudado como alternativa para tratar casos leves e moderados da doença que têm risco de se desenvolver para versões mais graves da Covid-19, causando hospitalização ou morte. A pesquisa em torno do medicamento foi feita pela Universidade Emory, em Atlanta, e a administração dada durante a fase de testes foi de quatro pílulas duas vezes ao dia por cinco dias seguidos. Se aprovada, a droga pode ser a primeira de administração oral para tratar a doença. De acordo com análises preliminares dos estudos, que foram feitos também no Brasil, a administração do remédio diminuiria em 50% o risco de hospitalização causado pela doença. Se a droga for aprovada pela FDA, a expectativa da farmacêutica é de que 1,7 milhão de doses sejam entregues ao governo dos EUA para distribuição.

O estudo de fase 3 foi realizado com 775 voluntários infectados pela forma leve ou moderada da Covid-19 e com maior risco para desenvolver um quadro grave da doença, como obesidade, idade avançada, diabetes mellitus e doenças cardíacas. Administrado via oral, o molnupiravir busca inibir a replicação do SARS-CoV-2. De acordo com os resultados, 7,3% dos pacientes que receberam o remédio foram hospitalizados ou morreram cerca de 29 dias após a administração. Depois desse período, nenhuma morte foi relatada em pacientes que receberam o medicamento. Em relação aos pacientes que receberam o placebo, 14,1% foram hospitalizados ou morreram nos primeiros 19 dias dos testes. Depois desse período, oito pessoas que receberam o comprimido inativo morreram. Segundo a pesquisa, o molnupiravir reduziu o risco de hospitalização e/ou morte em todos os subgrupos principais. A eficácia do remédio não foi afetada pelo tempo de início dos sintomas ou pelos fatores de risco subjacentes. O medicamento mostrou também eficácia contra as principais variantes de preocupação do vírus: Gama, Delta e Mu.

Efeitos colaterais foram relatados tanto no grupo que recebeu o molnupiravir quando no placebo, com uma incidência de 35% e 40%, respectivamente. A pesquisa não detalha quais foram esses eventos. Cerca de 1,3% dos voluntários que receberam o tratamento interromperam a terapia do estudo devido a um evento adverso frente a 3,4% dos que receberam placebo. O estudo, que não não teve revisão por pares, ainda teria uma outra fase com 1.500 voluntários, mas, por recomendação de um Comitê de Monitoramento de Dados Independente e em consulta com FDA dos EUA, a MSD decidiu interromper o recrutamento precocemente devido aos resultados positivos. A empresa espera produzir 10 milhões de doses até o final de 2021.