Fóssil de criança que viveu há 250 mil anos é encontrado na África do Sul

Com base na arcada dentária, os cientistas estimam que a criança tinha entre 4 a 6 anos quando morreu; crânio foi encontrado sozinho, sem nenhum outro resto do corpo

  • Por Jovem Pan
  • 05/11/2021 15h45
Divulgação/Universidade de WitsFóssil foi nomeado de “Leti”, parte da palavra setswana “letimela”, que significa “o perdido”

Uma equipe de pesquisadores da Universidade do Wits, em Joanesburgo, na África do Sul, encontrou ossos e dentes de uma criança que teria vivido há 250.000. O fóssil foi encontradonas profundezas remotas da caverna Estrela Ascendente, no Berço da Humanidade, em 2017. O crânio e as circunstâncias da descoberta foram descritos em dois artigos publicados nesta quinta-feira, 5, na PaleoAnthropology. Com base na arcada dentária, os cientistas estimam que a criança tinha entre 4 a 6 anos quando morreu. O crânio da criança foi encontrado sozinho, sem nenhum outro resto do corpo. Por esse motivo, o fóssil foi nomeado de “Leti”, parte da palavra setswana “letimela”, que significa “o perdido”. Foram encontrados 28 fragmentos de crânio e seis dentes. “Não havia partes repetidas quando juntamos o crânio e muitos dos fragmentos se encaixaram, indicando que todos vieram de uma única criança”, diz o Dr. Darryl de Ruiter, co-autor do artigo.

Os ossos foram encontrados a cerca de 12 metros da Câmara Dinaledi , local original da descoberta dos primeiros restos de Homo naledi, uma espécie de hominídeo que pode ser o exemplar mais antigo do gênero, em 2013. “Este é o primeiro crânio parcial de uma criança de Homo naledi já recuperado e isso começa a nos dar uma visão de todos os estágios da vida dessa espécie notável”, diz a professora Juliet Brophy. Os cientistas não conseguiram determinar o sexo de Leti. Estudos futuros usando métodos como proteínas antigas podem estabelecer seu sexo. Eles também não sabem como o crânio chegou até o local. Segundo a universidade, não há dano visível de predador ou necrófago em qualquer parte do crânio, nem qualquer evidência que sugira que os sedimentos ao redor dos ossos foram movidos por água ou outros meios. “A descoberta de um único crânio de criança, em um local tão remoto dentro do sistema de cavernas adiciona um mistério sobre como esses restos vieram parar nesses espaços remotos e escuros do sistema da caverna da Estrela Ascendente”, diz Lee Berger, coordenador da equipe.