Governo catalão rejeita desobediência civil e insiste em referendo

  • Por Agencia EFE
  • 01/10/2014 11h56

Barcelona (Espanha), 1 out (EFE).- O presidente do governo regional da Catalunha, Artur Mas, afirmou nesta quarta-feira que “agora” não é o momento para “desobediência civil”, mas para pedir ao Tribunal Constitucional da Espanha que permita a realização do referendo de soberania.

Em uma sessão no parlamento da Catalunha, Mas afirmou que o objetivo de seu governo é que o tribunal espanhola anule a suspensão cautelar sobre a consulta em defesa da soberania antes de 9 de novembro para que ela possa ser realizada.

O Executivo catalão decidiu ontem suspender a campanha institucional para o referendo depois que o Tribunal Constitucional aceitou, no dia anterior, o recurso apresentado pelo governo da Espanha contra essa iniciativa, o que se traduz na suspensão cautelar da consulta popular.

A convocação do referendo foi uma promessa da coalizão nacionalista que governa a Catalunha durante as eleições regionais de 2012.

O objetivo era que os cidadãos dessa comunidade autônoma da Espanha, com cerca de 7,5 milhões de habitantes, se pronunciassem acerca da soberania de seu território e, eventualmente, de sua independência.

O chefe do governo regional disse hoje diante dos deputados regionais catalães que historicamente, “nem sempre a desobediência levou à vitória”.

Ontem, depois que o executivo catalão suspendeu a campanha institucional para o referendo, milhares de cidadãos se reuniram para protestar contra a decisão do Tribunal Constitucional.

Por outro lado, hoje o parlamento catalão aprovou a criação da Comissão de Controle das Consultas Populares – o órgão encarregado de supervisionar o referendo de 9 de novembro -, em um tenso debate entre os partidos favoráveis à consulta e os contrários, que se recusaram a votar.

Os partidos contrários advertiram que a lei que prevê a criação desse órgão foi suspensa pelo Tribunal Constitucional, o que significa ultrapassar a “linha vermelha” e é uma “clara desobediência” da decisão da Justiça espanhola. EFE