Idosa será julgada por trabalhar em campo nazista quando era adolescente

A mulher de mais de 90 anos está sendo acusada de ter sido cúmplice dos assassinatos que aconteceram no campo de concentração onde atuava como secretária

  • Por Jovem Pan
  • 05/02/2021 16h52
EFE/EPA/PAWEL SAWICKIA Justiça da Alemanha já condenou um homem de 93 anos que foi guarda no campo de concentração de Sutthof aos 17 anos

A ex-secretária de um campo de concentração nazista está sendo acusada pela Alemanha de ter sido cúmplice em milhares de mortes. Essa é a primeira vez em muitos anos que uma mulher será julgada por atrocidades relacionadas ao período do nazismo, já que a maioria dos que são chamados para responder à esse tipo de crime são homens. O Ministério da Justiça acusa a idosa, que hoje possui mais de 90 anos de idade, de delitos cometidos entre junho de 1943 e abril de 1945 no campo de Stutthof, quando ela ainda era adolescente. Enquanto funcionária, ela teria dado assistência àqueles que foram diretamente responsáveis por massacres sistemáticos dos judeus, poloneses e soviéticos que eram mantidos prisioneiros ali.

Como a mulher era muito nova na época em que trabalhava no campo de concentração, ela deve ser julgada por um tribunal especializado em crimes juvenis. No entanto, é possível que a idade avançada faça com que ela seja considerada inapta a responder na Justiça e o caso não seja levado adiante. O seu nome e a sua idade não foram oficialmente divulgados ao público, mas com base em uma lista de casos ativos de crimes nazistas divulgada em 2019 especula-se que ela seja “Irmgard F.”, que tem 94 anos e vive em uma casa de repouso em Hamburgo. O fato dela ter trabalhado como secretária pessoal do comandante do campo de Sutthof também corrobora a teoria.

Em julho de 2020, uma corte em Hamburgo acusou um homem de 93 anos de ter sido cúmplice em mais de cinco mil assassinatos cometidos no mesmo campo de concentração de Sutthof. Bruno Dey trabalhou ali como guarda dos 17 aos 18 anos de idade, nos últimos meses da Segunda Guerra Mundial. O idoso foi julgado por um tribunal especializado em crimes juvenis e sentenciado a dois anos de prisão, apesar dessa decisão ter sido posteriormente suspensa. Durante um de seus depoimentos, ele pediu perdão pelo seu papel no nazismo. “Hoje, eu quero pedir desculpa a todas as pessoas que passaram por essa insanidade infernal”, disse.