Irã anuncia que colocou novo satélite militar em órbita

Equipamento é o segundo lançado com sucesso pelo país; ato ocorre no momento em que negociações ocorrem em Viena para tentar salvar o acordo que restringe o programa nuclear de Teerã

  • Por Jovem Pan
  • 08/03/2022 06h56
ATTA KENARE / AFP Irã O ministro das Relações Exteriores do Irã, Hossein Amir-Abdollahian (D), recebe o chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, na capital Teerã em 5 de março de 2022

As autoridades iranianas anunciaram nesta terça-feira, 8, que colocaram em órbita um novo satélite militar, o seu segundo, no momento em que as negociações em Viena para tentar salvar o acordo sobre o programa nuclear de Teerã, que restringe o programa nuclear do Irã, estão em uma fase crucial. “O segundo satélite militar iraniano, chamado Noor-2, foi enviado ao espaço pelo foguete Qassed, da força aeroespacial do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC), o exército ideológico do Irã, e colocado em órbita com sucesso a 500 quilômetros da Terra”, anunciou agência oficial IRNA.

O primeiro satélite militar lançado pelo país, em abril de 2020, foi o Noor, que significa “luz” em persa, está a uma órbita de 425 km acima da superfície da Terra. Colocar um segundo satélite no espaço representa um grande avanço para os militares do Irã, levantando preocupações sobre os programas nuclear e de mísseis do país. Os militares dos Estados Unidos dizem que a mesma tecnologia balística de longo alcance usada para colocar satélites em órbita também pode permitir que Teerã lance armas de longo alcance, possivelmente incluindo ogivas nucleares. Teerã nega as afirmações dos EUA de que tal atividade seja uma cobertura para o desenvolvimento de mísseis balísticos e diz que nunca buscou o desenvolvimento de armas nucleares.

O Irã, que tem um dos maiores programas de mísseis no Oriente Médio, teve vários lançamentos de satélites fracassados ​​nos últimos anos devido a problemas técnicos. Os EUA impuseram sanções à agência espacial civil do Irã e a duas organizações de pesquisa em 2019, dizendo que estavam sendo usadas para avançar o programa de mísseis balísticos de Teerã.