Jovens impulsionam disseminação da Covid-19 nas Américas, diz Opas

Carissa Etienne afirmou que “desejar que o vírus desapareça não funcionará”, criticando governos que adotaram precipitadas medidas de reabertura 

  • Por Jovem Pan
  • 26/08/2020 09h49 - Atualizado em 27/08/2020 09h13
EFEDesde julho, os casos do novo coronavírus nas Américas mais do que dobraram, para cerca de 12 milhões de infecções confirmadas

A diretora da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), Carissa Etienne, acredita que os jovens estão impulsionando a disseminação da Covid-19 nas Américas. Para a afirmação, a executiva considera que os números de mortes e de casos dobraram na região nas últimas seis semanas. Em videoconferência com repórteres na terça-feira, 25, Etienne criticou os governos que precipitaram as reaberturas econômicas, apesar dos dados que mostram o agravamento da pandemia. “Isso não é um bom sinal. Desejar que o vírus desapareça não funcionará”, disse ela, detalhando o que descreveu como  “desconexão real” entre a flexibilização das medidas de contenção e a disseminação contínua do vírus. A Opas é o braço da Organização Mundial da Saúde (OMS) nas Américas, com sede em Washington.

Desde julho, os casos do novo coronavírus nas Américas mais do que dobraram, para cerca de 12 milhões de infecções confirmadas, enquanto as mortes dispararam, aproximadamente na mesma taxa de aceleração, para cerca de 450 mil, de acordo com dados da Opas. Etienne afirma que a grande maioria dos casos notificados de Covid-19 nas Américas ocorreu entre pessoas de 19 a 59 anos, mas que quase 70% das mortes foram entre indivíduos com 60 anos ou mais. “Isso indica que os jovens estão, principalmente, impulsionando a propagação da doença em nossa região”, acrescentou. O recente aumento de casos em vários países caribenhos, incluindo as Bahamas, também é uma preocupação crescente, com novas infecções não apenas causadas pelo turismo, mas também pelo regresso de residentes. Para a diretora da Opas, em geral, os governos devem basear suas decisões de reabertura nos melhores dados disponíveis, expandir a testagem e contratar programas de rastreamento para melhor identificar e controlar os picos dos casos. Seis dos dez países mais afetados do mundo são da América, lembrou a diretora, citando os Estados Unidos, o Brasil, México, a Colômbia, o Peru e a Argentina.

*Com Agência Brasil