Manifestantes invadem Assembleia do Equador e pedem renúncia do presidente

  • Por Jovem Pan
  • 08/10/2019 18h19
EFE/ José JácomeAmanhã, eles organizarão uma grande manifestação para exigir a revogação de um pacote econômico anunciado pelo governo na última quinta-feira

Manifestantes invadiram, nesta terça-feira (8), a sede da Assembleia Nacional do Equador, em Quito, para exigir a renúncia do presidente do país, Lenín Moreno. Eles retiraram as cercas de proteção instaladas pela Polícia Nacional e entraram no edifício, que estava vazio, sem funcionários ou parlamentares.

A região onde fica o parlamento está sendo usada como ponto de concentração para 10 mil integrantes de grupos indígenas do país. Alguns deles foram os responsáveis pelo protesto.

Amanhã, eles organizarão uma grande manifestação para exigir a revogação de um pacote econômico anunciado pelo governo na última quinta-feira. Caso contrário, pedem a renúncia de Moreno.

A capital Quito está tomada por barricadas policiais, principalmente com convocação de greve geral para os próximos dias. A medida faz parte do estado de exceção convocado por Moreno, que dá a ele prerrogativa de usar forças armadas contra manifestantes.

Ex-presidente pede eleições antecipadas

O ex-presidente do Equador Rafael Correa afirmou hoje que os protestos contra o governo de Moreno não podem ser chamados de “golpe de Estado” e pediu a realização de eleições antecipadas para solucionar o problema.

“Nos chamam de golpistas quando temos dois anos da pior perseguição política. Aqui não há golpistas, os conflitos na democracia se resolvem nas urnas”, disse em mensagem de vídeo divulgada nas redes sociais.

O ex-mandatário se referiu à acusação feita ontem pelo atual presidente do país de que a onda de protestos teve início através de incentivos dos seguidores de Correa.

Aumento do preço dos combustíveis

Desde a semana passada, o Equador vive uma onda de distúrbios e protestos após a suspensão de subsídios a combustíveis, uma decisão tomada por Moreno para aumentar as receitas públicas e, com isso, atender às exigências do Fundo Monetário Internacional (FMI), com o qual fez um acordo. A instituição concedeu recentemente ao país uma linha de crédito de mais de US$ 10 bilhões.

Correa classificou como “desnecessárias” as medidas do presidente equatoriano, alegando que “o preço do petróleo não caiu, assim como não ocorreu nenhum desastre natural”.”É pura corrupção e inaptidão, enquanto eles se reduzem seus impostos”, afirmou o ex-mandatário, que atualmente vive na Bélgica e não pode retornar ao Equador, pois seria preso imediatamente, acusado de violar medidas cautelares.

* Com EFE