Morre aos 84 anos Abdelaziz Bouteflika, que governou a Argélia por duas décadas

Como presidente, Bouteflika encerrou guerra civil mas caiu após protestos massivos em 2019

  • Por Jovem Pan
  • 17/09/2021 22h54 - Atualizado em 17/09/2021 23h04
EFEPor forte pressão da população e Exército, Bouteflika renunciou em 2019 após 20 anos no poder

O ex-presidente da Argélia Abdelaziz Bouteflika morreu nesta sexta-feira aos 84 anos de idade, após uma longa doença que o impediu de se comunicar e locomover nos últimos cinco anos, informou a Presidência do país em comunicado, sem especificar qual era a enfermidade que causou a morte. Bouteflika, que se juntou muito jovem à luta armada pela independência argelina da França, comandou o país entre 1999 e 2019, quando foi obrigado a renunciar devido a manifestações em massa contra ele, que também foi pressionado a sair pelas Forças Armadas.

Após a Argélia se tornar independente da França em 1962, Bouteflika se tornou o primeiro ministro das Relações Exteriores da Argélia e uma figura influente no movimento dos Países Não-Alinhados (que não estavam do lado de Estados Unidos nem União Soviética durante a Guera Fria). Como presidente da Assembleia Geral da ONU, Bouteflika convidou o ex-líder palestino Yasser Arafat para falar ao órgão em 1974, um passo histórico em direção ao reconhecimento internacional da causa palestina. Após um período exilado em Dubai, voltou para a Argélia na década de 90, durante uma guerra entre o Exército e militantes islâmicos armados que matou pelo menos 200 mil pessoas.

Bouteflika foi eleito presidente em 1999, e conseguiu negociar uma trégua com os radicais islâmicos que pôs fim à guerra. Com um processo de reconciliação nacional envolvendo a concessão de anistias, o país restaurou a paz. Ele foi reeleito para o cargo três vezes e, em 2013, sofreu um derrame que o fez aparecer cada vez menos em público e alimentou frustração pública com o governo, por conta das poucas informações dadas sobre o estado de saúde. A queda de Bouteflika ocorreu quando planos de concorrer a um quinto mandato foram divulgados pelo círculo governante, levando a protestos de rua massivos que o fizeram deixar o cargo voluntariamente.