Portos voltam a funcionar na Ucrânia, mas Rússia afirma que exportação de cereais depende do Ocidente

Putin confirmou ao presidente da Turquia que está disposto a criar corredor marítimo para escoar as produções agrícolas ucranianas

  • Por Jovem Pan
  • 31/05/2022 12h44
REUTERS/Vincent Mundy exportação de cereais rússia e ucrânia Trabalhador do estaleiro observa grãos de cevada sendo despejados em um navio em Nikolaev.

Um primeiro navio comercial saiu do porto ucraniano de Mariupol, sob controle de Moscou, nesta terça-feira, 31, informou o líder separatista pró-Rússia, Denys Pushilin. Desde o começo do conflito, dezenas de porta-contentores estão bloqueados na Ucrânia, rodeados pelas forças russas. “Hoje saíram do porto de Mariupol 2.500 toneladas de bobinas de chapa laminada”, escreveu Pushilin no Telegram. “Este centro de transporte é muito importante para o Donbass”, disse acrescentou. 

Segundo ele, é “um porto muito importante no Mar de Azov e o único onde é possível carregar todo tipo de mercadorias, também no inverno”, explicou. Localizado no Mar de Azov, que por sua vez se conecta com o Mar Negro, o porto de Mariupol era, antes da ofensiva militar russa, o segundo mais importante da Ucrânia, atrás apenas de Odessa. A infraestrutura permitia a exportação em larga escala de cereais ucranianos, agora bloqueados no país devido ao conflito que ameaça provocar uma crise alimentar mundial.

insegurança alimentar no mundo

Ao mesmo tempo em que as transações marítimas voltaram a acontecer, a Rússia afirmou que apenas Kiev e o Ocidente podem agir para permitir as exportações de cereais ucranianas e russas, bloqueadas desde a ofensiva russa contra a Ucrânia e que aumentam o risco de uma crise alimentar mundial. “Os países ocidentais, que criaram uma tonelada de problemas artificiais fechando seus portos aos navios russos, cortando as cadeias logísticas e financeiras”, disse durante uma visita a Bahrein o ministro das Relações Exteriores russo, Serguey Lavrov, em referência às sanções contra Moscou. 

Na semana passada, o governo de Vladimir Putin sinalizou que está pronto para criar “corredores humanitários” no Mar Negro para escoar a produção agrícola ucraniana e evitar um cenário de escassez global. Contudo, para isso acontecer, além do Ocidente ter que aliviar algumas sanções, Kiev deve retirar as minas dos portos do Mar Negro para que os navios possam exportar cereais. “Eles (o Ocidente) precisam cancelar essas decisões ilegais que impedem o fretamento de navios, a exportação de grãos e assim por diante”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, que também culpou o Ocidente pela crise de alimentos.

O conflito na Ucrânia alterou o equilíbrio alimentar mundial, gerando temores de uma crise que afetará especialmente os países mais pobres. A Ucrânia, um dos principais exportadores de grãos, especialmente milho e trigo, viu sua produção bloqueada pelos combates. Rússia, outra potência produtora de cereais, não pode vender sua produção e seus fertilizantes devido às sanções ocidentais que afetam os setores financeiro e logístico. Ambos os países produzem um terço do trigo mundial. 

Guerra rússia e ucrânia

A continuação dos transportes marítimos deve permanecer. Na segunda-feira, 30, Putin confirmou para seu colega turco, Recep Tayyip Erdogan, que Moscou está disposto a trabalhar com Ancara. No dia 8 de junho Sergey Lavrov, ministro das Relação Exteriores russo, estará na Turquia para discutir a criação de um potencial corredor marítimo para as exportações agrícolas ucranianas, informou o ministro das Relações Exteriores da Turquia, Mevlut Cavusoglu. 

Falando à agência de notícias estatal Anadolu, Cavusoglu disse que o trabalho ainda está em andamento com as Nações Unidas para chegar a um acordo sobre a criação do corredor do Mar Negro, mas que as questões entre Moscou e Kiev permanecem. Ele disse que a ONU propôs a formação de um mecanismo conjunto de observação para monitorar a rota marítima e que a Turquia estava aberta à ideia. Os futuros do trigo de Chicago caíram na terça-feira, depois que o presidente russo expressou prontidão para desbloquear cargas de grãos bloqueadas nos portos ucranianos. O milho também caiu.