Premiê convoca eleições antecipadas na Espanha

  • Por Jovem Pan
  • 15/02/2019 15h19
Agência EFEO premiê espanhol. Pedro Sánchez, em sessão no Parlamento da Espanha

O premiê da Espanha, Pedro Sánchez, convocou nesta sexta-feira (15) eleições gerais antecipadas para o dia 28 de abril. A decisão ocorre apenas oito meses e meio depois de Sánchez chegar ao cargo.

Sánchez admitiu que não pode governar sem orçamento próprio, em um cenário político muito polarizado por causa do independentismo catalão. Na última quarta-feira (13), o Parlamento espanhol rejeitou a proposta do governo para o orçamento deste ano, pressionando o premiê por novas eleições.

Nestas circunstâncias, entre “não fazer nada” ou dar a palavra, o direito de falar aos espanhóis nas urnas, Sánchez escolheu o segundo, explicou o governante em pronunciamento à imprensa após um Conselho de Ministros extraordinário.

O presidente argumentou que um governo tem a obrigação de cumprir com sua tarefa, que é aprovar leis e “avançar”. Segundo ele, e quando isso não é possível, por causa do bloqueio parlamentar e a rejeição do orçamento, é necessário “tomar decisões” — neste caso, antecipar o pleito para antes do final do mandato, em junho de 2020.

Minoria

O premiê Pedro Sánchez chegou ao poder em junho do ano passado com a promessa de aliviar as tenções entre o governo de Madri e os separatistas da Catalunha.

Desde então, ele governa em minoria e enfrenta a oposição implacável do PP e do Cuidadanos (liberais). Os partidos o acusam de “ceder e se render” ao independentismo.

Sánchez, por outro lado, também está sendo pressionado pelos soberanistas catalães, que não renunciam ao direito “de autodeterminação”. O premiê tinha oferecido diálogo para resolver as tensões independentistas, mas sempre dentro dos limites da Constituição, que impede a secessão de qualquer parte do território espanhol.

Os socialistas sozinhos têm 84 dos 350 deputados do Congresso, portanto Sánchez teve que buscar constantemente acordos com outras forças políticas, às vezes a duras penas.

Apesar de tudo, Sánchez considerou nesta sexta-feira que há “derrotas parlamentares”, como a do orçamento, que são “vitórias sociais”. Isso porque os cidadãos já conhecem as propostas e projetos socialistas e se demonstra assim que não há “pactos ocultos” com os independentistas.

Sánchez enfatizou que nunca renunciará ao diálogo para encontrar uma solução para a crise territorial, mas insistiu: “Fora da Constituição, nada”. E também criticou a oposição conservadora que não tenha sido leal ao Estado nesta questão.

Novas eleições

Nesta sexta-feira, diante das próximas eleições, o presidente do PP, Pablo Casado — que administra uma bancada com 134 deputados atualmente — apresentou seu partido como “única alternativa ao desafio independentista” dos governantes regionais da Catalunha. Ele conheceu, no entanto, que pode chegar a acordos com outros partidos para alcançar este objetivo.

“A oposição firme, responsável e eficaz do PP no Parlamento e a mobilização cidadã nas ruas conseguiram que o Governo desistisse de continuar negociando com os independentistas, mas pode voltar a fazê-lo”, advertiu Casado.

O líder do Ciudadanos, Albert Rivera — cuja bancada tem 32 deputados –, pediu para se votar para não repetir um governo liderado por Sánchez, e não excluiu acordos com o PP, como ocorreu recentemente na região da Andaluzia (sul), onde a legenda se aliou para formar governo com o apoio do ultradireitista Vox.

“Caso contrário, haveria um Executivo com os separatistas e os populistas do Unidos Podemos”, alertou Rivera.

A porta-voz parlamentar do Podemos (67 deputados), Irene Montero, ressaltou que seu partido representa o voto “mais útil” para conter a direita, melhorar a vida de milhões de espanhóis e garantir que o diálogo sobre a Catalunha seja uma realidade.

Neste ambiente, o resultado eleitoral parece bastante incerto, embora as pesquisas apontem um Parlamento fragmentado, onde qualquer partido vai precisar de outros para poder governar e o Vox, que conseguiria representação pela primeira vez, poderia ser a chave de um novo Governo.

*Com informações da Agência EFE