Presidente da Argentina afirma ter negado pedido de Bolsonaro para interceder por refúgio de Áñez

Segundo Alberto Fernández, chefe do Executivo brasileiro queria que ele intercedesse junto ao governo da Bolívia para permitir que a ex-presidente interina boliviana, condenada a 10 anos de prisão por atos antidemocráticos, se refugiasse no Brasil

  • Por Jovem Pan
  • 30/06/2022 05h40 - Atualizado em 30/06/2022 11h52
Luis ROBAYO / AFP - 23/05/2022 Alberto Fernandez Alberto Fernandez, presidente da Argentino

O presidente da Argentina, Alberto Fernández, afirmou nesta quarta-feira, 29, que rejeitou o pedido feito pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) para que intercedesse junto ao governo da Bolívia para permitir que a ex-presidente interina boliviana Jeanine Áñez se refugiasse no Brasil. “Ele veio me pedir para interceder junto à Bolívia para que Áñez fosse ao Brasil como solicitante de asilo e eu disse a ele que infelizmente não poderia fazer nada disso”, disse Fernández em entrevista à emissora “C5N”. Áñez foi condenada à prisão na Bolívia por descumprimento de deveres e resoluções contrárias à Constituição quando assumiu o poder em 2019.

O presidente argentino declarou ainda que “a Bolívia deu um exemplo ao mundo ao julgar um golpe com tribunais ordinários e sem mudar os juízes naturais”. Na última segunda-feira, 27, Bolsonaro comentou que estava trabalhando para oferecer asilo a Áñez. Bolsonaro revelou que discutiu a possibilidade com outros líderes sul-americanos, entre os quais citou Alberto Fernández, com quem disse ter discutido a situação de Áñez na última Cúpula das Américas. “Faremos o possível para que venha ao Brasil”, declarou Bolsonaro, que considerou que Añez foi “presa injustamente” por “supostos atos antidemocráticos” após “vencer o grupo simpático” ao ex-presidente Evo Morales.

Áñez assumiu interinamente o comando do país como segunda vice-presidente do Senado em 12 de novembro de 2019, dois dias depois que Evo Morales renunciou ao poder, assim como todos os funcionários na linha de sucessão presidencial. A renúncia ocorreu em meio à crise política e social que eclodiu após as eleições de outubro daquele ano e denúncias de suposta fraude em favor de Morales, que negou essa possibilidade. Añez ficou no poder por um ano e meio e foi sucedida pelo atual presidente, Luis Arce, que venceu as eleições de 2020 como candidato do Movimento pelo Socialismo (MAS), mesmo partido de Morales. A ex-presidente interina foi presa em março de 2021 e, no último dia 10, condenada a 10 anos de prisão por um tribunal de La Paz, que emitiu a mesma sentença contra o ex-comandante das Forças Armadas, Williams Kaliman, e o ex-comandante da Polícia, Yuri Calderón, cujos paradeiros são desconhecidos.

*Com informações da EFE