Professor holandês se refugia após ser ameaçado por mostrar charges envolvendo jihadista

Docente mostrou charges que criticavam ataque ao jornal francês Charlie Hebdo para alunos durante homenagens a professor francês morto em ação terrorista

  • Por Jovem Pan
  • 05/11/2020 16h08
Google Street ViewProfessor foi ameaçado após aula em escola de Rotterdam

Um professor da cidade de Rotterdam, na Holanda, precisou se refugiar após uma série de ameaças feitas pessoalmente e virtualmente por mostrar em sala uma charge em referência ao ataque à redação do Charlie Hebdo, que deixou 12 pessoas mortas na França em 2015. O cartum, feito por um holandês ainda em e 2015, retrata um homem usando a camisa do jornal, decapitado, e mostrando a língua para um jihadista que teria o atacado. Apesar de estar na sala há anos, o desenho teria sido colocado em debate pelo professor após homenagem feita na escola a um docente francês morto em ação terrorista há algumas semanas.

Segundo o jornal holandês NRC, um grupo de alunas muçulmanas acusou o professor de “blasfêmia” e pediu que o material fosse retirado de sala de aula. O professor teria tentado explicar às alunas que o desenho não retratava a imagem de Maomé, o que é considerado uma blasfêmia na religião muçulmana, mas sim um extremista. Ainda assim, a escola escolheu retirar a imagem da sala de aula. Após a decisão, imagens do quadro na diretoria da escola foram divulgadas nas redes sociais e uma série de ameaças foram registradas contra o professor. “Se isso não for removido imediatamente, vamos fazer as coisas de maneira diferente”, afirmou uma das publicações.

A polícia do país afirmou que uma investigação “substancial” está em curso para encontrar os responsáveis pelas ameaças. Equipes policiais chegaram a ser enviadas à escola para conversar com os alunos e passar uma mensagem coletiva sobre tolerância aos discursos. Ninguém foi preso até o momento e os autores das publicações e das contas que divulgaram imagens ainda não foram identificados. O professor alvo das ameaças, por sua vez, está “escondido em um local seguro”. Autoridades não detalharam se ele continua no país ou se saiu da região por segurança.