Ritmo da vacinação contra Covid-19 diminui nos Estados Unidos; entenda

Problema não está relacionado à escassez de doses, mas ao menor interesse entre os jovens e a desconfiança no imunizante da Johnson & Johnson; governo busca maneiras de incentivar a população

  • Por Bárbara Ligero
  • 28/04/2021 16h46
EFE/EPA/Stefani Reynolds / POOLO presidente Joe Biden argumentou que o recente fim da obrigatoriedade do uso de máscara ao ar livre é outro motivo para se vacinar contra Covid-19

Manter o bom ritmo da campanha de vacinação contra a Covid-19 já está sendo um desafio para o governo de Joe Biden. Segundo dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), os Estados Unidos aplicaram cerca de 2,8 milhões de doses por dia na última semana, sendo que no início do mês essa média era de aproximadamente 3,2 milhões. O ritmo mais lento não está sendo causado por escassez de vacinas, problema que acomete a maior parte do mundo, mas sim por um baixo interesse entre a faixa etária mais jovem, que é agora o público-alvo da campanha. Desde o dia 19, todas as pessoas com 16 anos ou mais podem ser imunizadas no país. Veículos de imprensa locais já estão notando a falta de interesse. O jornal diário The Philadelphia Inquirer, por exemplo, noticiou que na cidade de Filadélfia milhares de agendamentos não foram preenchidos nos últimos dias. Enquanto isso, o estado da Vírgina Ocidental está concedendo um título de poupança no valor de US$ 100 para cada pessoa entre 16 e 35 anos que se vacine contra o novo coronavírus, em uma iniciativa anunciada pelo governador republicano Jim Justice nesta segunda-feira, 26.

Mesmo que não sejam financeiros, incentivos como esse serão importantes daqui para frente. O médico conselheiro da Casa BrancaAnthony Fauci, estima que entre 70% e 85% da população dos Estados Unidos precisa estar imunizada contra a Covid-19 para que a disseminação do novo coronavírus seja suprimida. Atualmente, o CDC calcula que 42% dos norte-americanos receberam pelo menos uma dose e 28,5% foram completamente vacinados. Apesar dos números serem melhores do que a da maioria dos países do mundo, eles ainda são insuficientes para conter o surto local. A maior prova disso é que os Estados Unidos continuam tendo uma média de 60 mil casos diários. A própria decisão do CDC de retirar a obrigatoriedade do uso de máscara em espaços ao ar livre para quem estiver vacinado foi usada como um argumento por Joe Biden para que mais pessoas se imunizem. “Para aqueles que não se vacinaram ainda, especialmente os que são mais jovens ou acham que não precisam, esse é outro ótimo motivo para se vacinar”, comentou o presidente nesta terça-feira, 27. Anteriormente, o democrata já tinha incentivado empresas a oferecerem folgas remuneradas aos funcionários nos dias em que eles fossem receber a injeção.

Também vem chamando atenção um outro dado do CDC que aponta que um número considerável de norte-americanos não estão comparecendo para tomar a segunda dose da vacina contra Covid-19. Cerca de 3,4% perderam o seu segundo agendamento em março e 8% em abril. É importante ressaltar, no entanto, que a informação pode conter imprecisões à medida que algumas pessoas tomam a primeira e a segunda dose em localidades diferentes. Mais relevante é uma análise realizada pelo The Washington Post que levanta uma terceira possível causa para o ritmo mais lento da campanha de vacinação nas últimas semanas: a desconfiança em relação ao imunizante da Johnson & Johnson. Mais de sete milhões de pessoas já tinham recebido a dose única da Janssen nos Estados Unidos quando foram relatados oito casos de trombose. Enquanto esses incidentes eram investigados, o governo suspendeu o uso da vacina durante 11 dias. Justamente durante essa pausa, entre 18 e 21 de abril, o jornal norte-americano conduziu uma pesquisa em que 73% dos entrevistados não vacinados disseram que não estavam dispostos a receber o fármaco da Johnson & Johnson. Além disso, 43% consideravam essa vacina muito insegura ou um pouco insegura.