Rússia e Ucrânia finalizam primeiras negociações mediadas pelos EUA

Encontro em Abu Dhabi durou três horas e foi classificado como “construtivo”, mas retirada de tropas do Donbass segue como principal entrave

  • Por Jovem Pan
  • 24/01/2026 12h10 - Atualizado em 24/01/2026 15h56
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Roman Pilipey / AFP Edifício residencial em chamas após ataque russo com drone na cidade de Vyshhorod, na região de Kiev Edifício residencial em chamas após ataque russo com drone na cidade de Vyshhorod, na região de Kiev, na madrugada de 30 de novembro do ano passado

Chegou ao fim a primeira rodada de negociações entre russos e ucranianos para pôr fim à guerra, com a mediação dos Estados Unidos em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes, informaram neste sábado (24) as agências russas.

“As conversas foram concluídas”, disse uma fonte à agência de notícias russa TASS, descartando a possibilidade de que esta rodada pudesse continuar horas mais tarde.

A delegação russa voltou ao hotel após quase três horas de conversas a portas fechadas sobre o controle da região do Donbass e medidas de segurança ao final da guerra.

Uma fonte comentou à agência russa que “não se pode dizer” que não houve resultados, pois “eles existem”, embora não tenha especificado nada. A mesma fonte também destacou que “há possibilidades” de que a segunda rodada seja realizada nos próximos dias.

Por sua vez, delegados ucranianos informaram ao portal Axios que a reunião havia sido “construtiva” e “positiva”, destacaram que houve resultados, sem especificar quais, e adiantaram que as negociações continuarão na próxima semana.

Segundo um funcionário americano que descreveu os encontros como “otimistas e positivos”, os negociadores retornarão aos Emirados Árabes Unidos para a próxima rodada em 1º de fevereiro.

Essa fonte, falando sob anonimato, afirmou que autoridades russas e ucranianas provavelmente precisariam de novas conversas na Rússia ou na Ucrânia antes de Zelenski se encontrar com o presidente russo Vladimir Putin, ou mesmo ter uma sessão conjunta com o presidente Donald Trump.

Conforme informado anteriormente por uma fonte à TASS, russos e ucranianos estudaram neste sábado vários documentos sobre “território, garantias (de segurança) e outros aspectos” do acordo pacífico do conflito.

Ambos os lados e os mediadores reconheceram durante a jornada de sexta-feira (23) que a retirada das tropas ucranianas do Donbass é o principal obstáculo nas negociações trilaterais.

“Esta questão continua sendo a mais complexa. Para a Rússia, é importante a retirada do Exército ucraniano do Donbass. Para isso, estão sendo considerados diferentes parâmetros de segurança”, disse uma fonte oficial à TASS.

A Rússia se opõe categoricamente ao envio de tropas ocidentais ao território do país vizinho, enquanto Kiev exige garantias que obriguem os EUA e seus aliados europeus a defendê-la em caso de uma nova agressão russa, em conformidade com o artigo 5º da Otan.

O presidente russo, Vladimir Putin, aprovou a realização de negociações trilaterais em Abu Dhabi após se reunir na madrugada de sexta-feira com os emissários da Casa Branca, Steve Witkoff e Jared Kushner.

Enquanto isso, o líder ucraniano, Volodymyr Zelensky, fez o mesmo após se reunir na quinta-feira com o presidente dos EUA, Donald Trump, no âmbito do Fórum Econômico Mundial de Davos.

A delegação da Rússia, que havia prometido elevar o nível de representação de sua equipe liderada nas três reuniões bilaterais anteriores por um assessor presidencial, é liderada pelo almirante Ígor Kostiukov, “número dois” do Estado-Maior e chefe da inteligência militar, e inclui apenas militares, de acordo com o Kremlin.

Já a delegação ucraniana é composta, entre outros, pelo chefe do gabinete presidencial ucraniano, Kyrylo Budanov; pelo líder do grupo parlamentar do partido de Zelensky, David Arajamia; e pelo secretário do Conselho de Segurança Nacional da Ucrânia, Rustem Umerov.

*com informações da EFE e do Estadão Conteúdo

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