Coreia do Sul: Seul quer R$ 20,5 milhões de igreja por causar surto de Covid-19

O pastor foi uma das figuras que liderou os protestos em massa contra o governo em Seul, no mês de agosto, mesmo com a proibição de concentrações na capital sul-coreana.

  • Por Jovem Pan
  • 18/09/2020 10h43 - Atualizado em 18/09/2020 10h44
REUTERS/Kim Hong-JiSul-coreanos usam máscara durante a pandemia da Covid-19

A Coreia do Sul segue demonstrando que continua firme nas medidas para conter a propagação do novo coronavírus. Nesta sexta-feira, 18, a cidade de Seul anunciou que vai abrir um processo na Justiça para pedir 4,6 bilhões de wons (na cotação atual, aproximadamente R$ 20,5 milhões) de Jun Kwang-hoon, líder da Igreja do Amor Máximo, epicentro do segundo maior surto de Covid-19 na Coreia do Sul.  Jun foi uma das figuras que liderou os protestos em massa – as próprias manifestações causaram o terceiro maior surto do país – contra o governo em Seul, no mês de agosto, mesmo com a proibição de concentrações na capital sul-coreana.

O pastor presbiteriano – que acabaria sendo infectado – decidiu prosseguir com os atos, apesar do fato de dias antes das manifestações vários membros de sua igreja já terem testado positivo para Covid-19. A cidade também acredita que Jun dificultou os trabalhos dos rastreadores, fornecendo documentações falsas sobre os membros de sua igreja. O surto ligado à sua igreja acrescenta mais de 1,1 mil infecções e as manifestações quase 600. “Limitando os danos apenas aos casos relatados em Seul, aqueles sofridos pelo administração municipal, agência de transporte, escritórios distritais e serviço de saúde pública são estimados em 13,1 bilhões de wons (cerca de R$ 58,5 milhões)”, diz o comunicado divulgado hoje pela Câmara Municipal.

O endurecimento do distanciamento social, que só foi relaxado nesta semana, forçou o fechamento de estabelecimentos considerados de alto risco, como cibercafés, karaokês ou boates, e na região de Seul, onde vive metade do país, bares, cafés e restaurantes, só atendem clientes até às 21h (hora local). Os advogados que representam a igreja negam a acusação e exigem que o governo central, que acusam de não proteger os cidadãos, processe a China por mentir sobre a pandemia. Após as manifestações, os casos em Seul e no resto do país aumentaram para 441 em um único dia, no final do mês passado.

*Com informações da Agência EFE