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Trump enviará vice-presidente ao Paquistão para negociar com o Irã no sábado

Segundo a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, os Estados Unidos também registraram um aumento no tráfego no Estreito de Ormuz nesta quarta

Fernando Keller

donald trump (2)
donald trump (2) BRENDAN SMIALOWSKI / AFP

Trump enviará vice-presidente ao Paquistão para negociar com o Irã no sábado. Segundo a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse nesta quarta-feira (8), o presidente está enviando sua equipe de negociação com o Irã, liderada por JD Vance, ao Paquistão, e a primeira rodada de negociações ocorrerá no próximo dia 11.

Trump “enviará sua equipe de negociação, liderada pelo vice-presidente dos EUA, JD Vance, pelo enviado especial, (Steve) Witkoff, e por (Jared) Kushner, a Islamabad para conversas neste fim de semana”, disse.

Ela também disse que os Estados Unidos registraram um aumento no tráfego no Estreito de Ormuz nesta quarta. Leavitt confirmou a um repórter que os EUA mantiveram diálogo de ‘alto nível’ com a China sobre o Irã, e que Trump respeita muito Xi Jinping, o presidente do país asiático.

Os dois países declararam vitória após concordarem com um cessar-fogo de duas semanas que deverá permitir a reabertura do Estreito de Ormuz, mas que, segundo Israel, não se aplicará ao Líbano.

Leavitt negou que os Estados Unidos tenham aceitado a proposta de dez pontos enviada pelo Irã, e que sim foi outra proposta que incluia 15 pontos dos americanos que foi aprovada.

“Uma vitória total e completa. 100%. Sem dúvida”, disse o presidente dos EUA, Donald Trump, à AFP por telefone, logo após o anúncio. Ele também afirmou que a questão do urânio iraniano, que os países ocidentais alegam poder ser usado para fabricar armas nucleares, seria “perfeitamente resolvida”.

“O Irã alcançou uma grande vitória”, declarou o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, afirmando que “o inimigo sofreu uma derrota inegável, histórica e esmagadora”.

Negociações

As autoridades iranianas confirmaram negociações com representantes de Washington a partir de sexta-feira no Paquistão, que tem desempenhado um papel fundamental como mediador.

Mas em Teerã, os iranianos têm dúvidas sobre o futuro. “Meus amigos mais próximos e eu estamos um pouco confusos. Para que serviu tudo isso? Atacaram instalações nucleares e de mísseis para ganhar tempo, mas, na realidade, nada mudou para o povo do Irã”, disse à AFP um corretor da bolsa de 30 anos.

“A República Islâmica agora se sente vitoriosa, e não acho que isso dará muitas opções aos americanos nas negociações”, acrescentou.

Trump exige abertura “total” de Ormuz 

O conflito começou em 28 de fevereiro com a ofensiva conjunta israelense-americana contra o Irã, que, em seu primeiro dia, resultou no assassinato do líder supremo Ali Khamenei. No mesmo dia, Trump pediu a queda da República Islâmica, posição que posteriormente abandonou.

Em 2 de março, o conflito se espalhou para o Líbano, onde o exército israelense luta contra o movimento pró-iraniano Hezbollah, apoiado por Teerã.

“A prioridade imediata do presidente é a reabertura do estreito sem quaisquer limitações, seja na forma de pedágios ou de outra forma”, disse Leavitt.

Questionada sobre quem controlava atualmente o Estreito de Ormuz, Leavitt se recusou a responder.

O Estreito de Ormuz é um dos pontos de estrangulamento marítimo estrategicamente mais importantes do mundo, com cerca de 20% dos fluxos de petróleo bruto e gás natural liquefeito do mundo passando por ele.

Em meio às negociações de cessar-fogo com os EUA e Israel, Teerã tem procurado formalizar esse controle propondo taxas ou pedágios sobre as embarcações que passam pelo Estreito, e Trump sugeriu nesta quarta-feira que os EUA e o Irã poderiam cobrar pedágios em uma joint venture.

O presidente americano exigiu que o acordo garantisse a abertura “total, imediata e segura” do Estreito de Ormuz, vital para o fornecimento global de hidrocarbonetos, e anunciou na Truth Social que as negociações estão “muito avançadas” para uma paz duradoura.

*Com informações da AFP e Reuters