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UE vê encontro entre Xi Jinping, Putin e Kim Jong Un como ameaça direta à ordem internacional

Kaja Kallas, chefe da diplomacia europeia, alerta para apoio da China à guerra da Rússia, critica desfile em Pequim e cobra mais unidade da Europa diante de crises como Gaza

Felipe Cerqueira

O presidente russo, Vladimir Putin; o presidente chinês, Xi Jinping; e o líder norte-coreano, Kim Jong-un chegam ao desfile militar que comemora o 80º aniversário do fim da Segunda Guerra Sino-Japonesa
Desfile militar en Pekín para conmemorar el 80.º aniversario del fin de la guerra chino-japonesa Sergey Bobylev/Sputnik/Kremlin/EFE

A reunião em Pequim entre os líderes da China, Xi Jinping, da Rússia, Vladimir Putin, e da Coreia do Norte, Kim Jong Un, representa um “desafio direto à ordem internacional”, afirmou nesta quarta-feira (3) a chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Kaja Kallas. Segundo ela, o encontro não envia apenas sinais de oposição ao Ocidente, mas desafia o sistema internacional baseado em normas. “A guerra da Rússia na Ucrânia conta com o apoio da China. São realidades que a Europa precisa enfrentar”, disse Kallas, ex-primeira-ministra da Estônia, em discurso em Bruxelas.

Na mesma fala, ela alertou para riscos ao equilíbrio global e defendeu que a Europa assuma um papel mais ativo no cenário internacional. Kallas destacou que “China e Rússia falam em promover mudanças nunca vistas em um século na arquitetura mundial de segurança”.

A diplomata criticou ainda a presença conjunta de Putin, Kim e Xi em um desfile em Pequim, que classificou como uma demonstração de força militar e diplomática. “Eles projetam uma visão de paz através do cano de um fuzil. Isso não é o que paz significa para a Europa”, afirmou. Durante o evento, Xi Jinping descreveu seu país como “imbatível”.

Tropas chinesas desfilam em parada militar que marca o 80º aniversário do fim da Guerra Sino-Japonesa, em Pequim

Tropas chinesas desfilam em parada militar que marca o 80º aniversário do fim da Guerra Sino-Japonesa, em Pequim (Andres Martinez Casares/EFE/EPA)

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Kallas também fez referência ao conflito em Gaza, que classificou como exemplo da falta de unidade europeia. Segundo ela, a União Europeia não utilizou todo seu poder geopolítico e, por isso, não conseguiu se posicionar de forma eficaz. A diplomata pediu “coragem política” aos 27 países do bloco, que até hoje não chegaram a um consenso sobre impor sanções a Israel, apesar de denunciarem a situação humanitária “catastrófica” após quase dois anos de guerra.

*Com informações da AFP
Publicada por Felipe Cerqueira

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