Vacinas de Oxford e Pfizer são eficazes contra a variante indiana da Covid-19 após duas doses, diz pesquisa

Especialistas esperam, ainda, níveis mais elevados de proteção contra hospitalizações e mortes; mutação chegou ao Brasil e é monitorada no Estado do Maranhão

  • Por Jovem Pan
  • 23/05/2021 12h47
EFE/EPA/WILL OLIVERVacina Pfizer-BioNTech foi 88% eficaz contra a mutação indiana 15 dias depois da segunda dose

Um estudo divulgado pela agência de saúde pública da Inglaterra indica que as vacinas da Pfizer/BioNTech e da Oxford/Astrazeneca são eficazes contra a variante indiana da Covid-19. Após duas doses do imunizante, a proteção seria semelhante à contra a variante B.1.17, dominante no Reino Unido. Os pesquisadores esperam, ainda, níveis mais elevados de eficácia contra hospitalizações e mortes. O estudo feito entre 5 de abril e 16 de maio constatou que a vacina da Pfizer/BioNTech foi 88% eficaz contra a mutação indiana 15 dias depois da segunda dose, em comparação com 93% de eficácia contra a variante B.1.1.7. Já o imunizante da Universidade de Oxford ofereceu 60% de proteção contra a cepa indiana, em comparação a 66% contra a variante do Reino Unido. Ambas as vacinas foram 33% eficazes contra a doença sintomática da variante indiana três semanas após a primeira dose, em comparação com cerca de 50% de eficácia contra a variante B.1.1.7. O levantamento incluiu 1.054 pessoas de todas as faixas etárias infectadas com a variante indiana, por meio de sequenciamento genômico.

“A diferença na eficácia entre as vacinas após duas doses pode ser explicada pelo fato de que a imunização com a segunda dose da AstraZeneca foi feita depois da Pfizer/BioNTech. Além disso, outros dados sobre perfis de anticorpos mostram que leva mais tempo para atingir a eficácia máxima com a AstraZeneca”, afirmaram os pesquisadores. Segundo eles, ainda não há casos e períodos de acompanhamento suficientes para estimar a eficácia da vacina contra os casos graves da cepa indiana mas, assim como acontece com outras variantes, são esperados níveis ainda mais elevados de proteção. Para o Secretário de Saúde e Assistência Social Matt Hancock essa nova evidência é “inovadora”. “Agora podemos ter certeza de que mais de 20 milhões de pessoas – mais de uma em cada três – têm proteção significativa contra essa nova variante, e esse número está crescendo todos os dias à medida que mais e mais pessoas recebem a segunda dose. Quero agradecer aos cientistas e médicos que trabalharam sem parar para produzir esta pesquisa”, disse.

Essas vacinas são utilizadas no Brasil?

No Brasil, a vacina de Oxford/AstraZeneca é produzida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro. Neste sábado, 22, chegou um novo carregamento de Ingrediente Farmacológico Ativo (IFA) para a produção do imunizante, que havia sido interrompida por falta de insumo, e deverá ser retomada na próxima terça-feira, 25. Com as novas remessas, estão asseguradas a produção de vacinas até a terceira semana de junho e entregas ininterruptas até 3 de julho. Ao todo, a Fiocruz já entregou ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) 41,1 milhões de doses da vacina, o que corresponde a 45% das doses disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS). Nesta sexta-feira, 21, foram disponibilizadas ao Ministério da Saúde 6,1 milhões de doses. Já em relação à vacina da Pfizer, o governo brasileiro concluiu neste mês a assinatura do contrato que prevê a entrega de 100 milhões de doses adicionais. Um primeiro contrato com outras 100 milhões já está em vigor e o país recebeu os primeiros lotes da vacina com cerca de 1,6 milhão de unidades.

Mutação indiana já chegou por aqui?

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, se reuniu com o secretário de Saúde da cidade de São Paulo, Edson Aparecido, com o prefeito de Guarulhos, Gustavo Henric Costa, e com técnicos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), na manhã deste sábado, 22, para discutir estratégias que evitem a propagação da variante indiana da Covid-19 e de novas cepas que venham a surgir. A mutação indiada foi detectada após uma embarcação vinda da Ásia chegar em São Luís, no Maranhão. Os testes confirmaram a variante em seis amostras coletadas em tripulantes. Boa parte dos exames é de pessoas que trabalham no hospital onde um dos infectados está internado. Nas redes sociais, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), disse que não há transmissão local da doença, e que os três portos do Estado não vão ser fechados.