Zelensky pede que ONU investigue ataque a shopping negado pela Rússia

Pelo menos 18 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas em ataque ao shopping Kremenchuk nesta segunda-feira

  • Por Jovem Pan
  • 29/06/2022 01h00
Serviço de Imprensa do Serviço de Emergência da Ucrânia/Divulgação via REUTERS Shopping center atingido por ataque de míssil russo em Kremenchuk, na Ucrânia Shopping foi bombardeado nesta segunda-feira

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, pediu nesta terça-feira, 28, ao Conselho de Segurança que a ONU envie representantes ao shopping Kremenchuk para verificar se foi atacado por “mísseis russos”, alegações que a Rússia negou e tachou como “propaganda ucraniana”. A sessão foi realizada a pedido da Ucrânia e incluiu um pronunciamento em vídeo de Zelensky, no qual pediu à ONU que defina legalmente o conceito de “Estado terrorista” para que a Rússia seja designada como tal, o que foi seguido por um pedido semelhante aos Estados Unidos para que reconheça a Rússia como patrocinadora do terrorismo. Zelensky concentrou-se no evento no centro comercial, no qual pelo menos 18 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas, e solicitou à ONU que envie um representante especial, o secretário-geral ou uma comissão de investigação para determinar de forma independente “que se tratou de um ataque de mísseis russos”. O presidente ucraniano criticou o fato de a Rússia continuar a ter um assento permanente no Conselho de Segurança, instou a organização internacional a privar a delegação russa de seus privilégios na Assembleia Geral e a criar um tribunal internacional para investigar “as ações dos ocupantes russos” no conflito.

“Embora a Rússia esteja violando os princípios fundamentais da ONU e da ordem jurídica internacional, não está sendo responsabilizada em nível global”, denunciou Zelensky, que leu os nomes de crianças e idosos “mortos na guerra” e pediu um minuto de silêncio para lembrar todos os falecidos. Por sua vez, o representante russo, Dmitry Polyanskiy, criticou o fato de a participação de Zelensky não ter sido objeto de consulta e acusou o Conselho de Segurança de se tornar uma “plataforma de campanha de relações públicas” para a Ucrânia, criticando seus membros por não deram o mesmo tratamento a outros presidentes. Polyanskiy atacou repetidamente o que considera “propaganda” da Ucrânia com o objetivo de obter “mais armas” dos países ocidentais e dos participantes da cúpula da Otan e também negou que o Exército russo tenha lançado mísseis contra o centro comercial de Kremenchuk. “O shopping não foi atacado: as forças russas usaram armas de posição para atacar uma instalação onde havia armas e munições dos EUA e de países europeus (…). A detonação da munição das armas gerou aquele fogo que se espalhou para o shopping”, disse o diplomata russo.

“O shopping estava a alguma distância e se o tivéssemos atacado não sobraria nada”, acrescentou Polyanskiy, que acusou Kiev de armazenar armas “perto de áreas residenciais, transformando a população em escudos humanos”. Antes da sessão, os embaixadores de EUA, França, Reino Unido, Noruega, Irlanda, Albânia e Ucrânia divulgaram uma declaração conjunta condenando os recentes ataques de mísseis da Rússia a infraestruturas e áreas residenciais em solo ucraniano. Além disso, a vice-secretária-geral para Assuntos Políticos e de Paz, Rosemary DiCarlo, afirmou que o Escritório do Alto Comissariado para os Direitos Humanos registrou mais de 4.700 mortes de civis na Ucrânia com base em incidentes verificados, mas alertou que os números reais “são consideravelmente maiores”.

*Com informações da EFE