‘Não acho que vou ser demitido nos próximos meses’, diz Guedes

Ministro também afirmou que Brasil deve entrar na OCDE em até um ano, e que PIB deve cair ‘no máximo’ 4,5% em 2020

  • Por Gabriel Bosa
  • 20/10/2020 12h08 - Atualizado em 20/10/2020 15h35
Gabriela Biló/Estadão ConteúdoMinistro afirmou que previsões internacionais para a queda do PIB estavam equivocadas, e que tombo em 2020 deve ser de até 4,5%

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou na manhã desta terça-feira, 20, que não acredita que será demitido pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) “nós próximos meses”. A declaração foi dada durante conferência promovida pelo Milken Institute, quando questionado sobre quais as suas previsões para o país no futuro. “O que eu posso dizer, não acho que vou ser demitido nos próximos meses, e agora é tempo de vir [investir] no Brasil”. O chefe da equipe econômica também afirmou que o Brasil deve entrar para a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) — também chamado como o “clube dos países ricos” — em um ano, e que o país já cumpriu a maior parte dos requerimentos necessários. “Já preenchemos dois terços dos requerimentos, em um ano deveremos estar na OCDE”, disse o ministro.

Guedes voltou a afirmar que a economia do Brasil irá cair em 2020 menos do que o esperado pelas análises internacionais. Para 2020, o ministro disse que o Produto Interno Bruto (PIB) recue “provavelmente 4%, quatro e alguma coisa, no máximo”. Ontem, o ministro já havia declarado que prevê queda 4% na atividade econômica neste ano, enquanto a previsão do presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, é de 4,5%. O ministro também defendeu o presidente Bolsonaro ao afirmar que não há casos de corrupção no país. “Estamos há um ano e meio sem corrupção, é como um século, nunca aconteceu antes. Quando chegamos aqui, havia muita suspeição, e os que perderam as eleições disseram coisas sobre nós, sobre riscos à democracia. Em nenhum momento houve risco à democracia”, afirmou.

Questionado sobre a agenda de reformas, Guedes afirmou que o Brasil não irá aumentar impostos, mas mudar a forma que eles são cobrados ao baixar a tributação corporativa e taxar os dividendos. “O Brasil aumentou e criou impostos nos últimos 40 anos. Não vamos fazer isso, pelo contrário, vamos reduzir”, afirmou. Segundo ele, o governo deu essas garantias aos investidores do setor privado. “Não é fácil, mas acreditamos que estamos indo na direção correta”, afirmou. O chefe da equipe econômica também afirmou que governo federal planeja a abertura de capital na bolsa de valores (IPO, na sigla em inglês), do banco digital criado para o pagamento do auxílio emergencial. “Nós digitalizamos 64 milhões de pessoas. Quanto vale um banco com 64 milhões de pessoas? Pessoas de baixa renda, mas que foram bancarizadas pela primeira vez, então vão ser leais pelo resto de suas vidas”, afirmou, sem citar diretamente a Caixa Econômica Federal.

O ministro também de defendeu a agenda ambiental do governo federal ao afirmar que o país tem a matriz energética mais limpa o mundo e que há muito mal-entendido. [A região da Amazônia] é maior que a Europa. Quando os europeus nos criticam, eu peço ajuda, [peço que] invistam em verde e que honrem o Acordo de Paris. Estamos tentando receber ajuda para melhorar a situação”, afirmou. Guedes também falou que o governo federal projeta transformar a região de Manaus na “capital mundial da economia sustentável” e que subsidiar empresas para ocupar a região é um “grande erro”.