Obama, em tom conciliador, diz querer escutar ideias dos dois partidos

  • Por Agencia EFE
  • 07/11/2014 21h18
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Washington, 7 nov (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, se reuniu nesta sexta-feira com os líderes da Câmara e do Senado na Casa Branca, que serão controladas pela oposição após a vitória dos republicanos nas eleições legislativas, com uma mensagem conciliadora para avançar na agenda legislativa.

Obama recebeu nesta sexta-feira na Casa Branca mais de uma dúzia de líderes do Congresso de ambos os partidos para um almoço para trocar ideias sobre os assuntos nos quais, apesar da diferença de enfoque político, podem chegar ao consenso.

O líder apontou três áreas nas quais acredita que o Congresso pode trabalhar unido imediatamente: a aprovação do orçamento, o apoio com recursos aos esforços na luta contra ebola e a autorização de US$ 5,6 bilhões adicionais, já solicitados, para combater o grupo jihadista Estado Islâmico (EI).

O secretário de Defesa, Chuck Hagel, e o general Lloyd Austin, chefe do Comando Central americano, informaram aos congressistas durante o encontro sobre a campanha contra o EI no Iraque e Síria, que Obama autorizou hoje 1.500 soldados adicionais para assessorar as tropas iraquianas e curdas, mas não em missão de combate.

Antes de começar o almoço, que aconteceu a portas fechadas, Obama ressaltou que os cidadãos estão “frustrados” pela falta de resultados no Congresso nos últimos dois anos devido a falta de acordos entre republicanos e democratas, e esperam “ver mais cooperação” na nova legislatura.

“Todos nós temos essa responsabilidade, em particular eu”, disse o líder, que garantiu estar disposto a trabalhar e escutar as ideias dos dois partidos.

Não vou julgar ideias por virem de democratas ou de republicanos, irei avaliá-las dependendo se funcionam ou não, pois “os americanos querem ver o trabalho feito”, afirmou Obama.

O presidente parabenizou o líder da maioria republicana na Câmara dos Representantes, John Boehner, sentado a sua direita, e o senador Mitch McConnell, que será o do Senado, na chegada do almoço, que durou duas horas.

O escritório de Boehner indicou em comunicado que o congressista ressaltou que a prioridade “continua sendo o emprego e a economia” e considerou que a construção do oleoduto Keystone XL para transferir óleo do Canadá ao Golfo do México, a contratação de veteranos e as escolas subvencionadas seriam “um bom ponto de partida” em janeiro, quando o novo Congresso tomará posse.

O congressista republicano advertiu que qualquer “ação unilateral” que o presidente tomar em matéria migratória “apagaria qualquer oportunidade” de o Congresso realizar uma reforma migratória e “dificultaria que o Congresso e a Casa Branca trabalhem juntos em outras áreas de interesse comum”.

À esquerda de Obama se sentou o atual líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, que estava acompanhado da líder da minoria democrata na Câmara dos Representantes, a congressista Nancy Pelosi.

Pelo lado democrata, também participaram os congressistas Steny Hoyer, Xavier Bezerra, o senador Charles Schumer, Patty Murray; enquanto pelos republicanos os congressistas Kevin McCarthy e Cathy McMorris, além dos senadores John Cornyn; John Thune e John Barrasso.

Em breves declarações antes de uma reunião com seu Gabinete, anterior ao encontro com os congressistas, o presidente afirmou que esperava compartilhar com eles o que considera “necessário fazer para construir, aproveitando o impulso econômico no qual estamos e fazê-lo mais forte”.

Obama assinalou que trabalhou com membros dos dois partidos no passado e que pretende continuar fazendo-o porque “as boas ideias não têm por que vir necessariamente de um só partido”.

Obama disse acreditar que há uma “grande possibilidade” de uma cooperação bipartidária em temas como emprego, fortalecimento da indústria americano e exportações-, “se deixarmos a política de lado e nos centrarmos nas pessoas que nos colocaram aqui”.

Apesar das mostras de boa vontade das duas partes após a eleição, as dificuldades para chegar a uma agenda comum estão na mesa.

Os líderes republicanos do novo Congresso anteciparam ao jornal “Wall Street Journal” sua agenda legislativa, em que elencaram como prioridades a revogação da reforma da saúde impulsionada por Obama, a modificação da política impositiva e a redução da dívida pública.

No entanto, nem sequer mencionam a imigração, um assunto considerado fundamental para o atual governo de Obama, que advertiu que usará medidas executivas antes do final do ano, o que enfrenta fortíssima oposição dos republicanos. EFE

elv/cd

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