Partidos pequenos definirão formação de novo governo britânico

  • Por Agencia EFE
  • 04/05/2015 16h12

Viviana García.

Londres, 4 mai (EFE).- A composição do parlamento britânico após as eleições de 7 de maio será imprevisível, pois tudo indica que nem conservadores nem trabalhistas vão obter maioria, por isso são os partidos pequenos que podem definir a formação do governo.

Todas as pesquisas sobre intenções de voto divulgadas durante a campanha eleitoral quase não variaram e deram um empate de cerca de 34% entre o Partido Conservador, de David Cameron, e o Trabalhista, de Ed Miliband.

A tendência indica que a formação do parlamento que sairá das eleições será dividida, e nenhuma das principais legendas conseguirá maioria suficiente para governar sozinha, o que as obrigará a buscar coalizões ou pactos com outras.

Algo parecido ocorreu nas eleições gerais de 2010, quando os “tories” tiveram que negociar uma coalizão com os liberais-democratas, de Nick Clegg, terceiro partido em número de cadeiras no parlamento.

Por não ser proporcional, o sistema eleitoral britânico favorece o bipartidarismo, já que os 650 deputados que compõem a Câmara dos Comuns são escolhidos em cada circunscrição por maioria simples e em apenas um turno.

Desta forma, é possível que um partido obtenha o maior número de votos em todo o país, mas não os deputados suficientes para governar.

A fragmentação dos votos nesta eleição deixa os partidos pequenos como peças fundamentais para determinar quem – Cameron ou Miliband – obterá a chave para a casa número 10 da rua Downing Street, residência oficial do primeiro-ministro.

Por isso, a campanha eleitoral foi dominada por conjecturas e debates sobre as possíveis alianças que surgirão na madrugada de 8 de maio, quando saírem os resultados da votação.

Partidos como o Nacionalista Escocês (SNP), o liberal-democrata (LD), da Independência do Reino Unido (UKIP), o galês Plaid Cymru e o Democrático Unionista da Irlanda do Norte (DUP) foram mencionados como possíveis legendas que farão parte do governo de Cameron ou Miliband.

De todos estes partidos, o SNP surgiu com destaque, pois as pesquisas indicam que a legenda poderá conquistar até 50 das 59 cadeiras das quais a Escócia tem direito na Câmara dos Comuns. Na legislatura anterior, o SNP obteve apenas seis vagas no parlamento.

Os liberais-democratas, por outro lado, podem perder muitas cadeiras. Algumas pesquisas chegaram a colocar o partido na quarta posição em número de votos, à frente do “eurofóbico” UKIP.

A líder do SNP, Nicola Sturgeon, ofereceu apoio ao líder trabalhista, mas Miliband rejeitou a proposta devido às aspirações independentistas do partido escocês. O dirigente trabalhista, no entanto, não descartou pactos pontuais com o SNP.

O professor Paul Whiteley, da Universidade de Essex, disse à Agência Efe que, com a recusa para formar uma coalizão com Sturgeon, Miliband quer deixar claro que “não haverá parlamentares do SNP com postos ministeriais em um governo trabalhista”.

“Mas, sem dúvidas, podem estar ocorrendo amplas consultas nos bastidores para se redigir um Discurso da Rainha (como se chama o programa de governo) aceitável para o SNP”, afirmou.

Com este tipo de acordo, observou Whiteley, uma administração trabalhista teria apoio em votações importantes e evitaria uma possível queda do governo por moção de censura.

O analista político lembrou que a vantagem do SNP é que o partido já liderou com sucesso um governo minoritário, entre 2007 e 2011, na Escócia, quando contou com o apoio do Partido Verde escocês.

Desta forma, o Partido Trabalhista parece ter “mais possibilidades” do que o Conservador para formar governo, pois pode trabalhar tanto com o SNP como com os liberais-democratas ou o Plaid Cymru, opinou Whiteley.

No entanto, a tarefa de Cameron seria mais difícil, porque nem o DUP norte-irlandês nem o UKIP, ambos mais próximos dos “tories”, vão querer “entrar em uma coalizão formal”, e talvez nem tenham cadeiras suficientes, explicou à Efe o professor de política Chris Hanretty, da Anglia Ruskin University.

“É preciso levar em conta que é provável que o UKIP só consiga uma ou duas cadeiras, no máximo seis”, afirmou.

Já para o professor Stephen Fischer, da Universidade de Oxford, o que os analistas concordam é que “há incerteza”, por isso a questão é “avaliar o alcance da incerteza”. EFE