CPI da Covid-19: Pasternak critica cloroquina e Maierovitch diz que trazer Copa América ao Brasil é ‘insano’

Ex-presidente da Anvisa também afirmou que plano de imunização do país é ‘pífio’ porque não houve a adoção de ‘critérios homogêneos’

  • Por Jovem Pan
  • 11/06/2021 09h45 - Atualizado em 11/06/2021 18h03
Elza Fiuza/Agência Brasil e Gute Garbelotto/CMSPEx-presidente da Anvisa Claudio Maierovitch e microbiologista Natalia Pasternak

A CPI da Covid-19 recebeu, nesta sexta-feira, 11, Natalia Pasternak e Claudio Maierovitch. A vinda dos cientistas atendeu a requerimentos dos senadores Renan Calheiros (MDB-AL), Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Humberto Costa (PT-PE). Nos pedidos, os parlamentares alegam que os especialistas têm condições de esclarecer qual é a melhor forma de enfrentamento à crise sanitária. Os internautas puderam participar da audiência pública enviando perguntas e comentários através do portal e-Cidadania. Diretora-presidente do Instituto Questão de Ciência, Natalia Pasternak é microbiologista, pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP) e PhD com pós-doutorado em microbiologia na área de genética molecular de bactérias pelo Instituto de Ciências Biomédicas da USP (ICB-USP). Claudio Maierovitch é médico sanitarista da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e ex-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), instituição que presidiu de 2003 a 2008. Acompanhe como foi a sessão: 

17:52 – Sessão é encerrada 

Senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que presidiu a sessão desta sexta-feira, 11, encerrou a sessão. A próxima reunião da comissão ocorrerá na terça-feira, 15. Os parlamentares vão ouvir o ex-secretário de Saúde do Amazonas, Marcellus Campêlo.

17:32 – Omar Aziz: ‘Imunidade de rebanho foi um dos maiores crimes cometidos no Brasil’

O presidente da CPI da Covid-19, Omar Aziz, participa da audiência de forma remota. Ele afirmou, há pouco, que a tese da imunidade de rebanho, defendida por integrantes do governo federal, foi “um dos maiores crimes cometidos no Brasil”.

17:21 – Simone Tebet diz que mudança sobre uso de máscaras terá que passar pelo Congresso

A senadora Simone Tebet (MDB-MS), última inscrita da sessão desta sexta-feira, 11, disse que a mudança sobre o uso obrigatório de máscaras precisará ser avaliado pelo Congresso Nacional. Ela questionou quais os parâmetros devem ser levados em consideração para que a decisão seja responsável do ponto de vista sanitário. A microbiologista Natalia Pasternak afirmou que além do percentual de brasileiros vacinados, é preciso levar em consideração a curva de novos casos. “A curva de casos novos e de óbitos é o que deve nos orientar. Não é o número de vacinados. Se a gente ficar só no número de vacinados, é um número muito probabilístico”, disse.

16:33 – ‘Maneira como Bolsonaro apresenta sua comunicação para a população é perigosa’, diz Natalia Pasternak 

Natalia Pasternak afirmou ao senador Jorge Kajuru (Podemos-GO) que a maneira como o presidente Jair Bolsonaro se comunicação com a população sobre o enfrentamento à crise sanitária é “perigosa”. “Ele mostra total falta de empatia para com as famílias e mostra ignorância da ciência. A motivação dele, não posso arriscar a dizer”, disse.

16:13 – ‘Tem cientistas que vêm à CPI expor clara opinião política’, diz Girão

Governista, o senador Eduardo Girão (Podemos-CE) foi mais um a criticar os depoimentos de Natalia Pasternak e Claudio Maierovitch. “Tem cientistas que vêm à CPI expor clara opinião política”, disse. Ele exibiu prints de postagens feitas pelo ex-presidente da Anvisa em suas redes sociais. “Essa CPI vem derretendo por esse viés político”, acrescentou.

15:51 – Audiência é retomada 

Fala, neste momento, o senador Eduardo Girão (Podemos-CE), um dos aliados do Palácio do Planalto na CPI da Covid-19. Ele afirma que “o debate foi excluído” da comissão e pede que os senadores possam ouvir “um lado e o outro”. Girão é um dos defensores de remédios ineficazes para o tratamento da doença.

15:26 – Sessão é suspensa por 15 minutos

Randolfe Rodrigues (Rede-AP) suspendeu a sessão para um intervalo de 15 minutos.

15:00 – Alvos da CPI acionam STF para suspender quebra de sigilo 

O ex-assessor especial do Ministério da Saúde Zoser Hardman Araújo e a secretária de Gestão do Trabalho e Educação na Saúde da pasta, Mayra Pinheiro, ingressaram com mandados de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar suspender a decisão aprovada pelos senadores da CPI da Covid-19 de quebra dos sigilos telefônico e telemático. Hardman afirma que a decisão da comissão é “ilegal e arbitrária”, uma vez que não foi convocado a prestar esclarecimentos na CPI e não é sequer investigado. A defesa de Mayra Pinheiro, por sua vez, afirma que a quebra de sigilo contra a servidora é um “ato ilegal”, “um excesso abusivo, com intensidade tamanha a ponto de desvestir a impetrante” e uma “violência contra a dignidade”. Leia a reportagem da Jovem Pan. 

14:29 – Governista insiste na defesa de tratamento ineficaz

No final de sua fala, o senador Luiz Carlos Heinze exibiu uma placa com o número de infectados com a Covid-19 que se recuperaram e afirmou que as vidas foram salvas em razão do tratamento precoce. “Elas também tomaram chá da vovó, deram três pulinhos e deram uma volta no quarteirão, senador”, ironizou a microbiologista Natalia Pasternak.

13:47 – ‘Trazer a Copa América ao Brasil é uma atitude insana’, diz Maierovitch

Questionado pelo relator da CPI da Covid-19, Renan Calheiros (MDB-AL), sobre a realização da Copa América no Brasil, Claudio Maierovitch disse que “ninguém em sã consciência” defenderia a realização de “qualquer atividade que reúne gente em uma situação cataclísmica como vivemos do ponto de vista da transmissão” do coronavírus no país. “Outros dois países se negaram [a receber o torneio] e não estão em situação pior que a nossa. Beira a insanidade que um país que ostenta o maior numero de mortes diárias por uma doença traga para si um evento que reúna pessoas de origens diferentes, sabendo que não é possível conter a transmissão. Me parece uma atitude insana”, afirmou o ex-presidente da Anvisa. A competição continental será disputada a partir do domingo, 13.

13:36 – ‘Cenário de imunidade de rebanho implica uma quantidade grande de doentes e mortos’, diz Maierovitch 

Ex-presidente da Anvisa, Claudio Maierovitch criticou a tese de imunidade de rebanho, defendida por alguns integrantes do governo Bolsonaro. “A imunidade de rebanho é algo apreendido da veterinária: se vacinando uma parte da criação contra uma determinada doença transmissível, mesmo os não vacinados estarão protegidos, porque o agente infeccioso não consegue circular o suficiente para chegar até aqueles que não foram vacinados. O raciocínio que se faz [sobre o coronavírus] é: na medida em que muita gente tenha a doença, tanta gente estará protegida, com imunidade, que a probabilidade de alguém que tenha o vírus tenha contato com alguém que não tem imunidade é tão pequena que a doença acaba. No entanto, no caso da Covid-19, só é possível atingir essa imunidade com vacinação. O cenário em que se atinge esse tipo de imunidade pelo rumo natural da doença implica numa quantidade tão grande de doentes e de mortos que não seria sequer eticamente aceitável uma proposta desse tipo”, disse.

13:10 – ‘Quando a ciência é distorcida, é obrigação do cientista se manifestar’, diz Natalia Pasternak 

A Natalia Pasternak rebateu a declaração do senador Jorginho Mello (PL-SC), para quem a microbiologista é uma “adversária do governo Bolsonaro”. “Não é uma questão de ser adversário do governo. Quando as políticas públicas não são baseadas em ciência, preciso me manifestar. Assim diz o meu estatuto. Quando a ciência é distorcida para promover curas milagrosas, quando a ciência é ignorada no que ela pretende para o controle da epidemia, é obrigação do cientista se manifestar, porque ele pode esclarecer essas questões aos brasileiros. Não é uma questão pessoal com Jair Bolsonaro. É uma questão com a política pública deste governo, que está sendo promovida pelo presidente da República, que tem uma responsabilidade porque pediu para estar lá e precisa ser responsabilizado pela mensagem que passa para a população”, disse.

13:03 – ‘Natalia Pasternak e Claudio Maierovitch são literalmente adversários do governo Bolsonaro’, diz senador governista 

O senador Jorginho Mello (PL-SC), aliado do Palácio do Planalto na CPI da Covid-19, questionou críticas feitas por Natalia Pasternak e Claudio Maierovitch à gestão do governo federal no combate à pandemia do novo coronavírus. O parlamentar elencou uma série de declarações dos especialistas e afirmou: “Eles são literalmente adversários do governo Bolsonaro. Isso está claro”.

12:58 – ‘Atitude do presidente está quase na direção de uma provocação premeditada de casos e óbitos’, diz Tasso Jereissati

O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) utilizou seu tempo de fala para criticar as declarações do presidente contra o uso de máscaras. “As perspectivas que temos para os próximos dois meses são dramáticas. Esperamos estar equivocados. Mas a atitude do presidente, ontem, está quase na direção de uma provocação de casos e óbitos premeditada. Os especialistas estão prevendo isso [que o Brasil pode chegar ao mês de agosto com mais de 700 mil mortes registradas] aqui e a atitude do governo, na figura do senhor presidente, é de provocar e tripudiar sobre essas afirmações”, disse.

12:13 – Natalia Pasternak: ‘Presidente que nega a ciência confunde a população’

Natalia Pasternak disse que, em uma situação de crise sanitária, campanhas de conscientização são fundamentais. “Não se conduz uma resposta a uma epidemia sem uma campanha de informação. E elas não vieram do governo federal. Quando o presidente se comporta de maneira contrária à ciência, ele confunde a população”, disse. “Não tem como contar com a colaboração da população se ela está confusa e não sabe para onde olhar. É para usar máscara ou não? Pode fazer festa ou não? Se estou com sintomas, o que faço? Não temos diretrizes claras de orientação”, acrescentou.

11:57 – ‘Fiquei espantado com as atitudes anticientíficas de Nise Yamaguchi’, diz Maierovitch

Contemporâneo da médica Nise Yamaguchi na Universidade de São Paulo, Claudio Maierovitch disse ter ficado “muito espantado” com as atitudes anticientíficas da oncologista e imunologista, apontada como integrante do gabinete paralelo de assessoramento ao presidente Jair Bolsonaro. “Estranhei muito, realmente. Não tenho contato com ela há muitos anos, mas estranhei muito que, com a formação que ela teve, ela tenha abandonado o seu conhecimento científico. Não sei em prol de que”, afirmou.

11:53 – Maierovitch critica militarização do Ministério da Saúde

Ex-presidente da Anvisa, Claudio Maierovitch criticou a militarização do Ministério da Saúde. “A experiência do campo militar, extremamente complexa, como levar suprimento para tropas, é muito diferente de uma experiência no campo da saúde pública. Eu não me atreveria, apesar de ter uma trajetória de mais de 35 anos na saúde pública, a fazer uma gestão de suprimento militar em momento de guerra. Quem não tem a experiência de trabalhar em momento de epidemia, de crise sanitária, não deveriam ser as encarregadas de tomar decisões e comandar operações neste caso”, disse.

11:17 – Natalia Pasternak compara eficácia das vacinas a um goleiro 

Natalia Pasternak recorreu a uma metáfora futebolística para explicar a eficácia das vacinas. A microbiologista disse que a os jogadores de defesa são fundamentais para evitar a exposição do goleiro. Assim é com o uso de máscaras e a necessidade do distanciamento social. O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que hoje preside a sessão, aproveitou a comparação para criticar o presidente Jair Bolsonaro. “O problema é que no Brasil a gente tem um jogador que insiste em fazer gol contra”, disse. Nos últimos dias, o chefe do Executivo federal atacou as vacinas, defendeu a desobrigação do uso de máscaras e fez a defesa de um medicamento comprovadamente ineficaz para o tratamento da Covid-19.

10:56 – Quórum registrado é baixo 

Até o momento, o quórum para a audiência da CPI da Covid-19 desta sexta-feira, 11, é baixo. Dois dos 11 membros titulares não registraram presença no sistema do Senado (Eduardo Braga e Otto Alencar). Entre os suplentes, apenas Rogério Carvalho (PT-SE) está presente. No total, são 15 os parlamentares inscritos. A título de comparação, 27 senadores se registraram para questionar o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello.

10:43 – Renan Calheiros: ‘Bolsonaro induz a continuidade desta tragédia e deste morticínio’

Relator da CPI da Covid-19, Renan Calheiros (MDB-AL), criticou as declarações recentes do presidente Jair Bolsonaro sobre a vacina e o uso de máscaras. “Bolsonaro induz a continuidade desta tragédia e deste morticínio. Anteontem, novamente, desdenhou da eficácia da vacina. Ele perguntou em Anapólis: tudo bem que a cloroquina não tem eficácia, mas a vacina tem eficácia? Ontem, depois de ser pego no flagrante fazendo lobby para empresa privada pela cloroquina, ele ataca a máscara, como a querer mudar de assunto”, disse.

10:30 – ‘Plano de imunização que tivemos é pífio’, diz Maierovitch 

Ex-presidente da Anvisa, Cláudio Maierovitch disse que “o plano de imunização que tivemos é pífio”. “Ele não entra nos detalhes necessários para um plano de imunização que deve existir no país. Me sinto à vontade para falar sobre isso porque, no departamento que eu cuidava no Ministério da Saúde encontrava-se a coordenação-geral do Plano Nacional de Imunização. Não tivemos, por exemplo, critérios homogêneos definidos para o Brasil inteiro. Ficou a cargo de cada Estado e município. Pode parecer democrático um sistema descentralizado, mas frente a uma epidemia desta natureza, isso deixa de ser democrático e passa a produzir iniquidades. É dificil gerenciar diferentes pressões e critérios para a adoção de prioridades para a vacinação”, explicou.

10:10 – Natalia Pasternak: ‘Cloroquina não funciona em animais nem em humanos’

A microbiologista Natalia Pasternak destacou, ao final de sua fala, que “a cloroquina não funciona em animais nem em humanos” e fez críticas ao governo Bolsonaro. “Estamos, pelo menos, seis meses atrasados em relação ao resto do mundo, que já descartou a cloroquina. Aqui no Brasil continuamos discutindo isso. Isso é negacionismo, senhores. Negar a ciência e usar esse negacionismo em políticas públicas não é falta de informação. É uma mentira. E, no caso triste do Brasil, é uma mentira orquestrada pelo governo federal e pelo Ministério da Saúde. Uma mentira que mata, porque leva pessoas a comportamentos irracionais que não são baseados em ciência”, disse.

10:00 – ‘Cloroquina nunca teve plausibilidade biológica para funcionar contra a Covid-19’, diz Natalia Pasternak

Natalia Pasternak utiliza seu tempo de fala para rebater argumentos constantemente utilizados pelo presidente Jair Bolsonaro para defender o uso da cloroquina no tratamento da Covid-19. “Evidências anedóticas, ‘ah, meu tio tomou, se curou’, não são evidências científicas. São apenas histórias. Não interessa quantas pessoas conhecemos que tomaram cloroquina e se curaram. Isso não se transforma em evidência científica. Correlação não é a mesma coisa que causa e efeito”, disse. “No caso da cloroquina, infelizmente, ela nunca teve plausibilidade biológica para funcionar. O caminho pelo qual ela bloqueia a entrada do vírus na célula só funciona in vitro, em tubo de ensaio. Nas células do trato respiratório, o caminho é outro. Ela nunca poderia ter funcionado. Ela nunca funcionou para outras viroses. Ela falhou para várias doenças provocadas por vírus, como vírus, zika, dengue, AIDS, Ebola”, acrescentou.

09:58 – ‘Ciência não é questão de opinião’, diz Natalia Pasternak

A microbiologista Natalia Pasternak destacou, em sua exposição inicial, que a ciência “não é uma questão de opinião”. “Ciência não é questão de opinião. Não é uma questão do que eu enxergo versus o que você enxerga, uma visão do mundo. Não é questão de desrespeitar a opinião alheia. A ciência funciona buscando os fatos”, afirmou.

09:45 – Randolfe Rodrigues inicia a sessão 

O vice-presidente da CPI da Covid-19, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), deu início aos trabalhos desta sexta-feira, 11. O presidente, Omar Aziz (PSD-AM), está no Amazonas. Por isso, a audiência pública será presidida pelo parlamentar da Rede.