Brasil não respondeu ofertas da Pfizer feitas em agosto de 2020, diz Murillo; veja como foi

Gerente-geral da farmacêutica deu detalhes das propostas enviadas ao governo Bolsonaro no ano passado

  • Por Jovem Pan
  • 13/05/2021 09h43 - Atualizado em 13/05/2021 17h37
Jefferson Rudy/Agência SenadoComissão quer mais detalhes sobre as negociações entre a farmacêutica e a cúpula do governo Jair Bolsonaro

O ex-presidente da Pfizer no Brasil Carlos Murillo depõe à CPI da Covid-19, nesta quinta-feira, 13. Atualmente, Murillo ocupa o cargo de gerente-geral da empresa na América Latina, mas era o responsável pela condução das negociações da farmacêutica com o Brasil para a aquisição de vacinas contra o novo coronavírus. A oitiva ocorre um dia depois de o ex-chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) Fabio Wajngarten apresentar uma carta enviada pela empresa à cúpula do governo brasileiro em setembro de 2020 – de acordo com Wajngarten, o documento foi ignorado por dois meses.

Em janeiro deste ano, a Pfizer afirmou, em nota, que ofereceu 70 milhões de doses de sua vacina ao governo brasileiro em agosto do ano passado. O acordo só foi firmado em março deste ano, quando o imunizante foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). À época, o presidente Jair Bolsonaro e auxiliares que acompanhavam de perto as tratativas, incluindo o então ministro da Saúde Eduardo Pazuello, afirmavam que não havia segurança jurídica para a compra e que a proposta possuía cláusulas abusivas. Acompanhe a cobertura abaixo:

16:01 – Sessão encerrada

Omar Aziz (PSD-AM) encerrou a sessão da CPI da Covid-19 desta quinta-feira, 13. A próxima reunião irá ocorrer na terça-feira, 18, com o depoimento do ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo.

14:33 – ‘Se Bolsonaro quisesse emitir uma MP para a compra de vacina, não precisaria da boa vontade do Senado’

Ao responder às declarações dos parlamentares governistas de que o Brasil só poderia assinar o contrato da Pfizer após a aprovação de uma lei que trazia segurança jurídica para o acordo, o presidente da CPI da Covid-19, Omar Aziz (PSD-AM), disse que “se o presidente quisesse emitir uma medida provisória [para a compra de vacina], não precisaria da boa vontade do Senado”. Uma MP tem força de lei, mas precisa ser aprovada pelo Congresso em até 120 dias.

14:20 – Segurança jurídica foi discutida com o governo em novembro 

Respondendo a um questionamento do vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), o ex-presidente da Pfizer no Brasil Carlos Murillo afirmou que as discussões com o governo em busca de uma alternativa para garantir a segurança jurídica necessária para a assinatura do contrato começaram em novembro de 2020. A lei foi sancionada apenas em março de 2021.

13:24 – Carlos Bolsonaro e Filipe Martins participaram de reunião no Palácio do Planalto com representantes da Pfizer

Carlos Murillo declarou que o vereador Carlos Bolsonaro e o assessor da Presidência da República para assuntos internacionais, Filipe Martins, participaram de uma reunião entre representantes da Pfizer e o ex-chefe da Secom Fabio Wajngarten no Palácio do Planalto. Ontem, em seu depoimento, Wajngarten disse não se lembrar de quem estava presente.

13:08 – Depoimento é retomado

Presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM) retoma a sessão.

12:55 – Sessão é suspensa por cinco minutos

O vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), suspendeu o depoimento de Carlos Murillo por cinco minutos.

12:45 – Senador governista questiona data de início da vacinação com imunizante da Pfizer nos Estados

O senador Marcos Rogério (DEM-RO), vice-líder do governo Bolsonaro, questionou a possibilidade de a Pfizer entregar doses de sua vacina ao Brasil ainda em 2020, porque, segundo ele, o imunizante não teria sido aprovado pela agência reguladora dos Estados Unidos, a FDA, em dezembro. As vacinas da farmacêutica começaram a ser administradas no dia 14 de dezembro.

12:37 – Pfizer e Ministério da Saúde tiveram segurança jurídica para assinar contrato após lei sancionada em março de 2021

Questionado pelo senador Marcos Rogério (DEM-RO), vice-líder do governo Bolsonaro, Carlos Murillo disse que a Pfizer e o Ministério da Saúde tiveram segurança jurídica para assinar o contrato de aquisição de 100 milhões de doses após a aprovação de um projeto de lei que dividiu responsabilidades. A lei foi sancionada no dia 10 de março deste ano.

12:23 – Jair Bolsonaro chama Renan Calheiros de ‘vagabundo’ 

Cumprindo agenda em Alagoas, nesta quinta-feira, 13, o presidente Jair Bolsonaro chamou o relator da CPI da Covid-19, Renan Calheiros (MDB-AL), de “vagabundo”. “Se Jesus teve um traidor, temos um vagabundo inquirindo pessoas de bem. É um crime o que vem acontecendo com essa CPI”, disse. O estado de Alagoas é governado pelo filho do emedebista, Renan Filho (MDB), conhecido como Renanzinho. “O recado que eu tenho para esse indivíduo: se quer fazer um show tentando me derrubar, não fará. Somente Deus me tira daquela cadeira. Temos um compromisso com vocês e devemos lealdade a vocês. Queremos trabalhar, o povo quer liberdade, quer ser feliz. E no que depender desse governo, assim o será”, acrescentou o presidente da República.

12:05 – Murillo diz que Wajngarten não participou de negociações com a Pfizer

O gerente-geral da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, afirmou há pouco que o ex-chefe da Secretaria de Comunicação (Secom) Fabio Wajngarten não participou das negociações com a Pfizer. De acordo com o depoente, as tratativas ocorriam diretamente com o Ministério da Saúde.

11:56 – Pfizer ofereceu 1,5 milhão de doses em 2020; três ofertas foram negadas

Carlos Murillo deu detalhes das ofertas feitas pela Pfizer ao Brasil, que poderia ter 1,5 milhão de doses ainda em 2020. Veja aqui detalhes das três propostas da farmacêutica ao governo Bolsonaro, todas negadas.

11:50 – Brasil poderia ter 18,5 milhões de doses da vacina da Pfizer até o segundo trimestre deste ano

Se o governo Bolsonaro tivesse assinado a proposta feita pela Pfizer ao Brasil no dia 26 de agosto, o país teria 18,5 milhões de doses à disposição até o fim do segundo trimestre deste ano. De acordo com o acordo firmado em março de 2021, serão 14 milhões de doses.

11:25 – Carlos Murillo conversou com Pazuello em novembro 

Apesar da oferta da Pfizer ter sido feita em agosto, o então ministro da Saúde Eduardo Pazuello só conversou com Carlos Murillo em novembro de 2020. Segundo o gerente-geral da farmacêutica na América Latina, o governo brasileiro se preocupava com a logística de armazenamento dos imunizantes.

11:22 – Pfizer fez três ofertas ao governo Bolsonaro em agosto de 2020 

Carlos Murillo, ex-presidente da Pfizer no Brasil deu detalhes sobre as três ofertas de vacinas feitas ao governo Bolsonaro ainda em 2020. De acordo com o depoente, as propostas foram formalizadas nos dias 14, 18 e 26 de agosto. Em cada uma delas, havia opção para compra de 30 ou 70 milhões de doses. Os primeiros lotes (de 500 mil ou 1,5 milhão) chegariam ainda em dezembro.

11:12 – Governo brasileiro não respondeu à Pfizer sobre ofertas de agosto

Carlos Murillo afirmou que o governo do presidente Jair Bolsonaro não respondeu à Pfizer sobre as duas ofertas feitas pela farmacêutica no dia 26 de agosto: elas previam a entrega de 30 e 70 milhões de doses e tinham 15 dias de validade. Neste caso, havia a possibilidade de entrega de um primeiro lote ainda em 2020.

10:59 – Primeira oferta foi feita em 14 de agosto, diz Murillo

Carlos Murillo afirmou que a primeira oferta de vacinas da Pfizer foi feita em 14 de agosto ao governo do presidente Jair Bolsonaro. Nesta data foram feitas duas propostas: de 30 milhões e 70 milhões de doses. Uma segunda oferta foi feita em 18 de agosto – neste caso, a farmacêutica se dispôs a entregar uma quantidade extra. A empresa procurou a União pela terceira em 26 de agosto, que previam um primeiro lote a ser entregue já no primeiro trimestre de 2021.

10:53 – Primeiras conversas com o Brasil ocorreram em maio de 2020, diz Murillo

Carlos Murillo afirmou que as primeiras reuniões da Pfizer com o governo sobre a aquisição de vacinas ocorreram em maio de 2020. “A negociação em si foi feita com o Ministério da Saúde”, disse o depoente. De acordo com o gerente-geral da farmacêutica, a interlocução com a pasta, então comandada pelo general Eduardo Pazuello, era feita com Elcio Franco, ex-secretário executivo do ministério.

10:48 – Pfizer estipulou preços de vacinas em três níveis

O gerente-geral da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, afirmou que há três níveis de preço para o seu imunizantes, estipulados de acordo com a capacidade econômica de cada país. O ex-presidente da farmacêutica também disse que todos os acordos têm sido honrados até o momento.

10:45 – Renan Calheiros diz que depoimento de Wajngarten foi ‘o maior desacato da história do Senado’

O relator da CPI da Covid-19, Renan Calheiros (MDB-AL), afirmou que o depoimento de Fabio Wajngarten, ex-chefe da Secom, foi “o maior desacato da história do Senado”. Na sessão de ontem, o emedebista pediu a prisão do ex-secretário do governo Bolsonaro.

10:40 – ‘Estamos nas fases finais da assinatura do segundo contrato com o governo do Brasil

Em sua exposição inicial, Carlos Murillo disse que o primeiro contrato da Pfizer com o Brasil foi assinado em março deste ano e destacou que a farmacêutica está nas “fases finais da assinatura” de um segundo acordo com o governo brasileiro. “Quando vimos a magnitude dessa pandemia, entendi que a única saída era a colaboração”, afirmou no início de sua fala.

10:26 – Carlos Murillo chega ao plenário para depor

O ex-presidente da Pfizer no Brasil Carlos Murillo chega ao plenário da comissão para depor. Ele é o atual gerente-geral da empresa na América Latina e participou das tratativas com o governo brasileiro para a aquisição de vacinas contra a Covid-19

10:19 – Augusto Aras diz que convocação de subprocuradora-geral é ‘afronta sem precedentes’ ao MPF

O procurador-geral da República, Augusto Aras, encaminhou uma mensagem aos senadores Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI da Covid-19, e Rogério Carvalho (PT-SE), na qual afirma que a eventual convocação da subprocuradora-geral, Lindôra Araújo, seria uma “afronta sem precedentes na história” ao Ministério Público Federal. O senador Eduardo Girão pede que investigadores forneçam detalhes sobre eventuais irregularidades cometidas por prefeitos e governadores no combate à pandemia do novo coronavírus.

10:00 – Girão cobra depoimento do diretor-geral da PF; Aziz e Calheiros discordam

A sessão desta quinta-feira começou com uma cobrança do senador Eduardo Girão (Podemos-CE). Ele pede que a CPI ouça o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Paulo Maiurino. “O diretor da PF tem sigilo em seu trabalho. Fazer perguntas sobre inquéritos é muito difícil dele responder”, disse o presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM). O relator, Renan Calheiros (MDB-AL), disse que é a primeira vez que se convoca a instituição para depor.

09:43 – Omar Aziz inicia a sessão 

O presidente da CPI da Covid-19, Omar Aziz (PSD-AM), abriu a sessão desta quinta-feira, 13. Os senadores vão ouvir o ex-presidente da Pfizer no Brasil Carlos Murillo. Ele participou das tratativas com o governo Bolsonaro para a aquisição de vacinas contra o novo coronavírus.