Aprovação do Orçamento com ‘Fundão turbinado’ gera críticas à base bolsonarista no Congresso; entenda

Lei de Diretrizes Orçamentárias prevê o aumento de R$ 2 bi para R$ 5,7 bi do recurso destinado às campanhas eleitorais; Eduardo Bolsonaro e Carla Zambelli se explicaram aos apoiadores

  • Por André Siqueira
  • 17/07/2021 14h00
Luis Macedo/Câmara dos DeputadosDeputados bolsonaristas foram cobrados por criticar o aumento do Fundão, mas aprovar a LDO 

Em um dos últimos atos antes do recesso parlamentar, o Congresso aprovou, nesta quinta-feira, 15, a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2022. Na Câmara dos Deputados, a LDO foi aprovada por 278 votos a 145, enquanto que, no Senado, o placar foi de 40 a 33. Embora seja responsável por apontar as prioridades do governo para o próximo ano, a matéria gerou repercussão nas últimas horas porque foi incluído no texto um Fundo Eleitoral turbinado, cujo valor foi praticamente triplicado – se nas eleições municipais de 2020 os partidos tiveram R$ 2 bilhões à disposição, para o pleito do ano que vem o montante será de R$ 5,7 bilhões. No Twitter, as hashtags #Fundo6bi e #VetaBolsonaro se tornaram dois dos assuntos mais comentados entre a noite de quinta e a manhã desta sexta-feira, 16. Além disso, nas redes sociais, a base bolsonarista foi cobrada por criticar o aumento do Fundão, mas aprovar a lei.

A tentativa de barrar o aumento do Fundão foi uma iniciativa do partido Novo que contou com o apoio de outras três legendas: Cidadania, PSOL e Podemos (veja imagem abaixo). A sigla, liderada pelo deputado Vinicius Poit (Novo-SP), apresentou um destaque, isto é, um pedido de alteração do texto-base, a fim de retirar das regras do Orçamento a previsão de cálculo para o financiamento de campanha. Neste caso, o valor destinado ao fundo eleitoral precisaria ser definido na Lei Orçamentária Anual (LOA), a ser entregue pelo governo Bolsonaro ao Congresso até agosto. Apesar disso, a iniciativa do Novo não foi aprovada. Seriam necessários 257 votos para o destaque passar, mas os quatro partidos, juntos, somam 35 deputados.

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Reprodução/Câmara dos Deputados

Deputados bolsonaristas, como Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), Carla Zambelli (PSL-SP) e Bia Kicis (PSL-DF), fizeram publicações para explicar aos seguidores porque aprovaram a LDO com o Fundão incluído. Em linhas gerais, os parlamentares alegaram que, como base do governo, tinham o dever de votar favoravelmente ao texto que regula o funcionamento do governo. “Deixar o Brasil sem orçamento? Isso seria de uma irresponsabilidade incrível, como base do governo. Quem não tem ligação com o governo pode se dar ao luxo de querer estourar o país, nós da base não podemos”, disse Zambelli a um usuário.

Outros parlamentares alinhados ao Planalto, em contrapartida, votaram contra a lei de diretrizes orçamentárias justamente por causa do aumento do fundo. É o caso, por exemplo, de Guilherme Derrite (PP-SP), que exerceu o cargo de vice-líder do governo entre maio de 2019 e setembro de 2020. Ele foi o único deputado do PP, partido do líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), a rejeitar o texto. “Fui questionado a respeito da votação de hoje sobre o aumento do fundo eleitoral. Devo destacar que votei contra a LDO justamente por esta prever o aumento do fundo eleitoral de R$ 2 Bilhões para R$ 5,7 Bilhões”, escreveu em seu perfil no Twitter.