Bancada evangélica vê carta de Lula como ‘escárnio’ e espera que Bolsonaro tenha 75% dos votos do segmento

Líder do grupo no Congresso Nacional, Sóstenes Cavalcante disse ao site da Jovem Pan que ex-presidente ‘mudou de opinião’ sobre aborto ‘somente por conta do período eleitoral’

  • Por André Siqueira
  • 22/10/2022 16h00
Marina Ramos/Câmara dos Deputados Sóstenes Cavalcante em plenário da Câmara Aliado do presidente Jair Bolsonaro, Sóstenes Cavalcante é líder da bancada evangélica no Congresso

O deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder da bancada evangélica no Congresso Nacional, classifica a carta divulgada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao segmento como “um escárnio”. No documento divulgado na quarta-feira, 19, o petista voltou a se dizer contra o aborto, defendeu o fortalecimento das famílias e destacou que, em seu governo, assinou leis e decretos que reforçaram a liberdade religiosa no país. Na avaliação de Sóstenes, no entanto, o candidato do PT mudou de opinião “somente por conta do período eleitoral”. “A carta de Lula aos evangélicos é um escárnio. É vergonhoso ver alguém mudar de opinião somente por conta do período eleitoral. Todos sabemos das declarações dele até recentemente a favor de aborto, ofendendo a família. Chega em período eleitoral, a máscara quer ser colocada novamente no Lula, mas já vacinamos bem o segmento evangélico com o antídoto anti-Lula, contra a hipocrisia, a falsidade e a mentira do PT”, disse Sóstenes ao site da Jovem Pan nesta sexta-feira, 21.

Aliados do presidente Jair Bolsonaro (PL) utilizam uma fala de Lula ainda no período de pré-campanha, em abril deste ano, para afirmar que o petista é a favor do aborto. Há seis meses, o ex-presidente disse, em um evento com representantes do Parlamento Europeu, que o assunto “deveria ser transformado numa questão de saúde pública”. “Aqui no Brasil ela não faz porque é proibido, quando na verdade deveria ser transformado numa questão de saúde pública e todo mundo ter direito e não ter vergonha”, disse. Na ocasião, o ainda pré-candidato acrescentou que, no Brasil, mulheres pobres morrerem ao tentar abortar enquanto “madame pode fazer um aborto em Paris” ou “ir para Berlim procurar uma clínica boa”. Na carta divulgada nesta semana, o ex-presidente reafirmou o compromisso “com a vida plena em todas as suas fases”. “Para mim a vida é sagrada, obra das mãos do Criador e meu compromisso sempre foi e será com sua proteção. Sou pessoalmente contra o aborto e lembro a todos e todas que este não é um tema a ser decidido pelo Presidente da República e sim pelo Congresso Nacional”, diz um trecho do manifesto.

Na avaliação de outros integrantes da bancada evangélica, a carta compromisso assinada por Lula não deve alterar o quadro de apoio massivo do segmento a Bolsonaro. Um interlocutor do ex-presidente disse à Jovem Pan que o documento serve para “estancar a sangria”, reconhecendo, por outro lado, que “os evangélicos são uma espécie de fortaleza para a candidatura” do atual presidente da República. Pesquisa Datafolha divulgada na quarta-feira, 19, apontou um avanço de Bolsonaro entre os evangélicos. Segundo o instituto, o candidato do PL ampliou de 34 para 38 pontos sua vantagem no grupo religioso (66% a 28%).

Sóstenes Cavalcante vê margem para um crescimento ainda maior de Bolsonaro e projeta que, no segundo turno, o presidente da República terá 75% dos votos entre os evangélicos – Lula, nos cálculos do líder da bancada, terá, no máximo 20%. Outros 5% dos eleitores que se identificam com este segmento devem anular seus votos, projeta o parlamentar. O prognóstico é endossado pelo deputado federal Marco Feliciano (PL-SP), para quem o atual chefe do Executivo federal pode ter cerca de 15 milhões de votos de vantagem para o petista entre esta parcela da população.

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