Bolsonaro nega barganha e critica Rosa Weber: ‘Há um excesso de interferência do Judiciário’

Presidente afirma que não usa emendas de relator no orçamento como forma de atrair apoio para projetos no Congresso

  • Por Jovem Pan
  • 08/11/2021 16h07
José Dias/PRBolsonaro relembrou que Rosa Weber vetou isenção de imposto para importação de armas

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) criticou a decisão da ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Rosa Weber, que suspendeu o pagamento das emendas de relator, usadas no ‘orçamento secreto‘, que diferentemente das emendas individuais de deputados e senadores, não seguem critérios usuais de transparência e são definidas com base em acertos informais entre o Palácio do Planalto e parlamentares aliados. Em entrevista à Jovem Pan de Curitiba, o presidente criticou os argumentos usados pela magistrada para determinar a suspensão e afirmou que o Judiciário tem feito interferências demais no Executivo e no Legislativo.

“Os argumentos usados pela relatora do Supremo não são justos, dizer que nós estamos barganhando. Como posso barganhar se quem é o dono da caneta é o relator, um parlamentar? E não é secreto porque está no Diário Oficial da União”, disse Bolsonaro. A decisão de Weber foi em ação apresentada pelo PSOL e será válida até que o plenário do STF determine se tais emendas são legais ou não, votação que está marcada para começar no plenário virtual nesta terça, 9, a partir das 0h. Os ministros terão até o dia 10 para subirem seus votos no sistema da corte.

Bolsonaro ainda criticou o que considera um excesso de decisões do STF interferindo nos outros poderes, e citou Weber diretamente. “É uma [decisão] atrás da outra. A mesma Rosa Weber. Decidi zerar o imposto de importação de armas, ela achou injusto e vetou. Há um excesso de interferência do Judiciário no Executivo. Até quando quis indicar um alguém para diretoria-geral da PF houve interferência. O Supremo age demais nessas questões. A gente lamenta isso dai, não é no meu entender o papel do Supremo. Os poderes têm que ser respeitados, mas as decisões de alguns atrapalham o andamento da Nação. Quer ser presidente da República, se candidate”, reclamou o presidente.