Ciro Nogueira aceita convite de Bolsonaro para assumir a Casa Civil

‘Está tudo acertado, já aceitou’, disse à Jovem Pan um correligionário do senador, presidente nacional do Progressistas, principal sigla do Centrão

  • Por André Siqueira
  • 21/07/2021 12h13 - Atualizado em 21/07/2021 17h14
Agência SenadoCiro Nogueira está de férias fora do Brasil, mas já comunicou decisão a caciques do Centrão

O senador Ciro Nogueira (PP-PI) aceitou o convite do presidente Jair Bolsonaro para assumir a Casa Civil, ocupada por Luiz Eduardo Ramos. O general da reserva do Exército deve ser deslocado para a Secretaria-Geral da Presidência da República, hoje comandada por Onyx Lorenzoni. Para abrigar Lorenzoni, o Palácio do Planalto irá recriar uma pasta que, no passado, era o Ministério do Trabalho. “Está tudo acertado, já aceitou”, disse à Jovem Pan um correligionário de Nogueira, presidente nacional do Progressistas. O aceite, inclusive, já foi comunicado a integrantes do Centrão e a colegas do partido. O parlamentar, um dos principais aliados do Palácio do Planalto no Congresso, está de férias fora do Brasil. O acordo, segundo apurou a reportagem, vinha sendo costurado nos últimos dias, mas foi selado na tarde desta terça-feira, 20.

Na manhã desta quarta-feira, 21, Bolsonaro afirmou, em entrevista à Jovem Pan Itapetininga, que fará uma “pequena mudança ministerial” na segunda-feira, 26, para “continuar administrando o Brasil”. “Estamos trabalhando inclusive em uma pequena mudança ministerial, que deve ocorrer na segunda-feira para ser mais preciso, para a gente continuar administrando o Brasil”, disse. A escolha de Ciro Nogueira para a Casa Civil atende a uma demanda antiga de partidos da base do governo que, há meses, vinham se queixando da atuação de Luiz Eduardo Ramos à frente da pasta. O general da reserva do Exército é muito próximo ao presidente Jair Bolsonaro, mas acumulou desgastes com o Congresso no período em que comandou a Secretaria de Governo (Segov), responsável pela articulação política. Ramos foi substituído pela deputada federal Flávia Arruda (PL-DF), aliada do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), no final de março deste ano.

Além disso, como a Jovem Pan mostrou, a indicação de Nogueira amplia a presença do Centrão no governo Bolsonaro e representa um “afago” ao Senado. Há alguns meses, parlamentares vinham cobrando do Palácio do Planalto uma aproximação com os senadores. Em outros momentos da gestão, deputados foram agraciados com ministérios e postos importantes da República. São os casos, por exemplo, de Tereza Cristina (ministra da Agricultura e deputada eleita pelo DEM), Onyx Lorenzoni (DEM-RS), Marcelo Álvaro Antonio (ex-ministro do Turismo, deputado eleito pelo PSL de Minas Gerais), Fábio Faria (ministro das Comunicações e deputado pelo PSD do Rio Grande do Norte) e Flávia Arruda (ministra da Secretaria de Governo). É no Senado, também, que a CPI da Covid-19 avança contra o governo – a comissão foi instalada para apurar as ações e omissões do Planalto no enfrentamento da pandemia e expôs membros e ex-integrantes da gestão, como Elcio Franco Filho e Eduardo Pazuello.

Expoente do Centrão, Ciro Nogueira é tido por seus pares como um político hábil, com atuação nos bastidores de Brasília. O senador foi escolhido como um dos titulares da CPI da Covid-19, mas não é figura frequente nas sessões. No início de junho, por exemplo, ele foi substituído na comissão pelo senador Luis Carlos Heinze (PP-RS), que era suplente do colegiado. À época, Nogueira pediu licença dos trabalhos para cumprir agenda de nove dias sobre telecomunicações em Washington e em Nova York a convite do Ministério das Comunicações. “A ida do senador Ciro Nogueira para a Casa Civil traz equilíbrio e fortalece o governo”, disse à Jovem Pan o deputado federal Fausto Pinato (PP-SP).