Corregedor vê ‘indícios suficientes de irregularidades’ e quer caso Flordelis no Conselho de Ética

Em seu parecer, o deputado federal Paulo Bengtson (PTB-PA) pede a apuração do caso por considerar que a denúncia revela ‘fatos potencialmente danosos à imagem do Poder Legislativo’

  • Por André Siqueira
  • 01/10/2020 14h54 - Atualizado em 01/10/2020 15h13
Fernando Frazão/Agência BrasilFlordelis (PSD-RJ) é acusada de ser a mentora da morte de seu marido, o pastor Anderson do Carmo

Corregedor da Câmara dos Deputados, o deputado federal Paulo Bengtson (PTB-PA) apresentou, nesta quinta-feira, 1º, seu parecer sobre o caso envolvendo a deputada federal Flordelis (PSD-RJ), acusada de ter mandado matar seu próprio marido, o pastor Anderson do Carmo. No documento, entregue ao presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e obtido pela Jovem Pan, Bengtson recomenda o encaminhamento do processo ao Conselho de Ética – responsável por decidir pela cassação ou não do mandato da parlamentar – porque “os fatos descritos no Requerimento de Representação e no Inquérito Policial que o instrui constituem indícios suficientes de irregularidades ou de infrações às normas de decoro e ética parlamentar”.

“Por todo exposto, manifesto-me pela formalização de Representação por parte da Mesa Diretora perante o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, pois os fatos descritos no Requerimento de Representação e no Inquérito Policial que o instrui constituem indícios suficientes de irregularidades ou de infrações às normas de decoro e ética parlamentar”, diz o parecer. Segundo as investigações, “não há dúvida alguma” de que a parlamentar é a mentora do crime. No depoimento que prestou à Corregedoria da Câmara, Flordelis disse que há um erro nas investigações e alegou que não pode ser julgada e condenada antes que todo o processo seja concluído. Em outro trecho de seu parecer, o deputado Paulo Bengtson pede a devida apuração do caso por considerar que a denúncia “revela fatos potencialmente danosos à imagem do Poder Legislativo e dos seus membros”.

O próximo passo do processo é a Mesa Diretora da Câmara avaliar se envia ou não o caso ao Conselho de Ética. O colegiado, assim como outras comissões da Casa, está com os trabalhos suspensos em razão da pandemia do novo coronavírus. No início do mês de setembro, os deputados tentaram votar o Projeto de Resolução 53/20, que autoriza a retomada das atividades, mas ele foi retirado de pauta por falta de acordo.

O pastor Anderson do Carmo foi morto a tiros na madrugada do dia 16 de setembro de 2019, em Niterói, na garagem de sua casa. De acordo com testemunhas ouvidas pelos investigadores, a deputada e o marido estavam voltando de uma confraternização – Anderson foi atingido por mais de 30 tiros quando voltou ao carro para pegar um objeto que havia esquecido no automóvel, foi socorrido, mas não resistiu aos ferimentos.