‘G7’ da CPI da Covid-19 está dividido sobre inclusão de Queiroga na lista de investigados

Relação será divulgada pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), nesta sexta-feira, 18; ex-ministros Eduardo Pazuello e Ernesto Araújo devem ser incluídos

  • Por André Siqueira
  • 17/06/2021 17h24 - Atualizado em 17/06/2021 17h25
Jefferson Rudy/Agência Senado - 8/06/2021Queiroga prestou depoimento à CPI nos dias 6 de maio e 8 de junho.

Nesta sexta-feira, 18, o relator da CPI da Covid-19, Renan Calheiros (MDB-AL), vai apresentar a lista de nomes que passarão da condição de testemunha a investigados pela comissão. Na relação, devem ser incluídos os ex-ministros Eduardo Pazuello (Saúde) e Ernesto Araújo (Relações Exteriores), o ex-chefe da Secom Fábio Wajngarten e a secretária de Gestão do Trabalho do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, a “capitã cloroquina”. A inclusão do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, porém, ainda não está definida, porque não há consenso sequer no G7, grupo majoritário do colegiado formado por senadores independentes e de oposição.

No último dia 11, o emedebista já havia afirmado, na sessão que ouviu a microbiologista Natalia Pasternak e o ex-presidente da Anvisa Cláudio Maierovitch, que algumas autoridades ouvidas pela CPI seriam transformados em investigados. Neste caso, elas podem ser alvos de mandados de busca e apreensão, entre outras medidas judiciais. Segundo parlamentares ouvidos pela Jovem Pan, embora a inclusão de Queiroga na lista não possa ser descartada, o assunto deve ser tratado com delicadeza. O senador Humberto Costa (PT-PE) lembra que o ministro da Saúde pode ser chamado a depor pela terceira vez e, como investigado, teria o direito de ficar em silêncio para não produzir provas contra si mesmo. “Há razões para incluí-lo na lista, mas penso que poderíamos esperar mais um pouquinho. Com o avançar dos trabalhos, as razões [para incluí-lo na lista] vão se ampliar. Podemos precisar chamá-lo novamente. Ficar em silêncio, definitivamente, não vai ajudar”, disse à reportagem.

Na avaliação de outro integrante da comissão, apesar de o ministro da Saúde não ter a autonomia necessária para elaborar medidas de combate à crise sanitária, há um “pequeno, mas importante avanço” no processo de imunização dos brasileiros – um exemplo disso é a antecipação de 7 milhões de doses da vacina da Pfizer para o mês de julho. Interlocutores de Renan Calheiros relatam que o emedebista ficou “sensibilizado” com as justificativas apresentadas pelos senadores do G7. “Mas, se Renan decidir incluir Queiroga na lista, vamos apoiar”.