Deputados e diretórios do PSDB apoiam a permanência de Bruno Araújo na presidência do partido

Manifestações ocorrem após o governador de São Paulo, João Doria, ter defendido a expulsão do deputado federal Aécio Neves (MG) da legenda

  • Por André Siqueira
  • 10/02/2021 22h15 - Atualizado em 10/02/2021 22h17
Lucio Bernardo Jr. / Câmara dos DeputadosBruno Araújo

Presidentes de 26 diretórios estaduais do PSDB e a maioria da bancada do partido na Câmara dos Deputados manifestaram apoio à permanência de Bruno Araújo na presidência da sigla. O posicionamento ocorre após o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), ter defendido a expulsão do deputado Aécio Neves (PSDB-MG) da legenda. O movimento de Doria foi visto como uma forma de aumentar seu protagonismo dentro do partido, dizem tucanos ouvidos pela Jovem Pan. Em uma carta divulgada nesta quarta-feira, 10, os representantes dos diretórios afirmam que a pandemia do novo coronavírus impediu as discussões sobre a renovação dos mandatos dos dirigentes. “Diante da diversidade de cenários regionais e locais, sugerimos o estabelecimento de mecanismos, para que, em casos excepcionais, a renovação dos mandatos possa ocorrer nas Unidades em que forem politicamente necessárias e convenientes ao fortalecimento ou a urgente reorganização
partidária”, diz o documento.

Em nota, 23 dos 33 deputados da bancada do PSDB na Câmara endossam o posicionamento dos presidentes dos diretórios. Entre os signatários estão o líder do partido na Casa, Rodrigo de Castro (MG), e Aécio Neves (MG). “Os deputados federais do PSDB abaixo assinados, na esteira da manifestação dos presidentes dos diretórios estaduais, manifesta a confiança na Executiva Nacional e apoia a prorrogação dos respectivos mandatos. Os parlamentares estão certos de que, com a decisão, o partido seguirá mantendo a democracia interna e a convergência na busca de soluções para que o País possa vencer a pandemia e retomar o crescimento com justiça social”, diem os parlamentares.

O governador de São Paulo se reuniu, no início da semana, com lideranças do PSDB, para tratar sobre o posicionamento do partido na eleição para a presidência da Câmara dos Deputados. Doria atribui a Aécio Neves a articulação responsável pelo apoio de parte da bancada à candidatura de Arthur Lira (PP-AL), apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro e eleito na disputa contra Baleia Rossi (MDB-SP). De acordo com o governador paulista, o partido decidiu atuar como um partido de oposição ao governo federal. Por isso, ele defendeu que os parlamentares que não se adequassem a este cenário deixassem a sigla.

“Não faz o menor sentido o PSDB ser condescendente e aderente ao presidente Jair Bolsonaro. Isso já nos custou votos na eleição da Câmara Federal, onde alguns deputados do PSDB, liderados por Aécio Neves, votaram em Arthur Lira, votaram ao lado do governo, a favor de Jair Bolsonaro e contra os princípios de defesa da posição do PSDB na sua maioria. Já que esta liderança foi de Aécio Neves, a partir de agora, tendo em vista que o PSDB define que será oposição ao governo federal, não cabe ao deputado Aécio Neves outra oposição: ou ele se incorpora ao PSDB e passa a fazer oposição ao governo ou pede para se retirar e vá encontrar um partido onde possa exercer seu adesismo e exaltar Jair Bolsonaro e o bolsonarismo. O PSDB precisa ser o partido de posições. Chega de PSDB do muro, um partido que não tem postura e não tem coragem para defender aquilo que deve defender. Esta é minha posição como governador de São Paulo e desta posição não me moverei. O PSDB é o partido que está do outro lado, completamente oposto ao deste negacionista que se chama Jair Bolsonaro”, disse Doria.

As declarações de Doria sobre Aécio Neves, candidato do PSDB à Presidência da República em 2014, geraram repercussão imediata. Na terça-feira, 9, quando afirmou pela primeira que pediu o afastamento do parlamentar mineiro, o líder do partido na Câmara, Rodrigo de Castro, aliado de Neves, divulgou uma nota na qual afirma que a expulsão do correligionário não era sequer discutida na bancada, uma vez que o tema já havia sido debatido pela Executiva Nacional – em 2019, a cúpula do partido livrou Aécio de uma punição.