Eleições 2020: ‘É um escárnio, um tapa na cara do paulistano’, diz Matarazzo sobre reforma no Vale do Anhangabaú

Reportagem faz parte da série de entrevistas que a Jovem Pan está realizando com os principais candidatos a prefeito da capital paulista

  • Por Rafaela Lara
  • 03/10/2020 10h35 - Atualizado em 03/10/2020 16h52
Jovem PanAndrea Matarazzo, candidato do PSD à Prefeitura de SP

O candidato do PSD à Prefeitura de São Paulo, Andrea Matarazzo, afirmou em entrevista à Jovem Pan que as obras realizadas no Vale do Anhangabaú, no centro de São Paulo são “um escárnio, um tapa na cara do paulistano”. Matarazzo já atuou como vereador na cidade e passou pelas três esferas de poder ao longo dos 30 anos de vida pública. O candidato também já foi ministro-chefe da Secretaria de Comunicação no governo FHC e se desfiliou do PSDB em 2016, quando João Doria se lançou candidato à prefeitura, e venceu. Na disputa deste ano, o PSD não firmou coligação com nenhum outro partido político – para o candidato, o prefeito de São Paulo precisa ser “suprapartidário”.

Segundo Matarazzo, na atual gestão, a população de rua “está abandonada à própria sorte e isso é omissão de socorro da prefeitura”. Nessa área, ele defende a implementação de programas em parceria com entidades privadas que “tenham espaço físico e mão de obra” para a realização dos trabalhos com dependentes químicos e moradores de rua, como as igrejas. Para ele, a gestão Covas “não tem feito rigorosamente nada” por essa parcela da sociedade paulistana. O ex-tucano disse ainda que buscaria diálogo com o governo federal e estadual e avaliou positivamente a criação do auxílio emergencial. “O auxílio para a população que depende da rua para trabalhar foi essencial. A turma que discute ideologia não sabe discutir a cidade, então uma conversa institucional é essencial”, relatou.

Veja algumas propostas defendidas pelo candidato do PSD à Prefeitura de São Paulo:

Economia: Geração de emprego

Segundo o candidato, a prioridade número um de sua gestão, se eleito, será o emprego. “Os reflexos da pandemia se agravarão e será preciso adotar ações que assegurem a manutenção e ampliação de empregos na cidade”. “É preciso refinanciarmos parcela dos impostos, como IPTU, para uma parcela do setor econômico, além de facilitar a renovação de licenças de funcionamentos de estabelecimentos comerciais. Lá na Cidade Tiradentes [extremo Leste de São Paulo], por exemplo, deve ter milhares de empreendimentos que funcionam irregularmente”, disse. Matarazzo também defende a criação de “frentes de trabalho, ao invés de fazer fonte luminosa de R$ 100 milhões. Isso tudo dá para fazer porque eu já fiz. Essas seriam ações concretas a serem implementadas logo no início da minha gestão”, disse.

Saúde: Modernização e plantões

Para Matarazzo, a pandemia do novo coronavírus revelou “muitas falhas na Saúde e mostrou uma São Paulo real”. Para dar conta de consultas e exames acumulados devido à Covid-19, o candidato defende a implementação de plantões em AMAs e a criação de um aplicativo “que funcione”. “A prefeitura diz que aplicativo, tem, mas não funciona. Temos que botar a meninada para desenvolver esses aplicativos, além de criarmos plantões 24 horas nas AMAs, com segurança, para que o médico possa chegar e trabalhar mesmo nos bairros mais distantes de São Paulo”, disse.

Social: Urbanização das favelas e atuação na Cracolândia

Segundo Matarazzo, um de seus eixos no âmbito social será a urbanização das favelas. “Fizemos algumas urbanizações em Paraisópolis, por exemplo, e o Haddad parou. A urbanização das favelas não muda as pessoas de lugar, temos favelas com 40, 50 anos em São Paulo. Dando regularização territorial, saneamento básico e endereço a essas pessoas, você dá dignidade a elas, que passam a ter crédito e o empreendedorismo floresce”. Para ele, essa é uma das formas de “consolidar a cidade com bairros, e não favelas”. Na visão do candidato, é preciso investir na Educação em tempo integral para que evite “novas Cracolândias no futuro”. “Para mim, está tudo interligado, temos que dar formação em tempo integral a essas crianças e levá-las aos equipamentos de Cultura da cidade”.

“É preciso uma ação conjunta com a polícia. Não se pode deixar que a cidade tenha esses núcleos para consumo e venda de drogas e, para isso, não pode ter medo de cara feia. Atualmente, os dependentes químicos e os bairros que abrangem a Cracolândia são reféns do tráfico. Quando atuei na subprefeitura da Sé, eram 150 pessoas na Cracolândia, hoje são mais de 2 mil, e 60% com sífilis. Isso é uma tragédia”, avaliou o candidato.

Zeladoria: Priorizar projetos e dinheiro

Matarazzo criticou as obras realizadas no Vale do Anhangabaú. Segundo ele, “essa será a grande marca da gestão [Covas]”. “Enquanto se tem 3 milhões de pessoas sem saneamento básico em São Paulo, se destrói o Vale do Anhangabaú com reformas. Nós vamos priorizar o dinheiro e pensar mais na população, e não na próxima eleição. Ao invés de se fazer fonte luminosa de R$ 100 milhões, aplicamos isso em um fundo de investimento para microempresários, por exemplo”, disse. Para ele, a zeladoria na atual gestão “inexiste” e é preciso recuperar um “sistema eficiente de limpeza e segurança, como quando tínhamos a ‘operação delegada’, isso aumentava em 70% o número de polícias nas ruas e dava segurança aos comércios e pedestres, e são medidas essenciais”, afirmou.